A exploração de trabalhadores em condições análogas à escravidão no Brasil segue marcada por desigualdades raciais, de gênero e renda. Levantamento divulgado em 2025 pelo Ministério do Trabalho e Emprego mostra que a maior parte das vítimas resgatadas é formada por homens negros. De acordo com o órgão, 86% dos trabalhadores libertados são homens e 83% se identificam como pretos ou pardos.
O diagnóstico foi produzido pela Secretaria de Inspeção do Trabalho e traça um retrato social das pessoas atingidas. A faixa etária mais frequente está entre 30 e 39 anos. A concentração regional também chama atenção: 65% moram no Nordeste, especialmente no Maranhão. O nível de escolaridade é baixo para a maioria, com 68% tendo pouca instrução formal, 24% com ensino médio completo e 8% analfabetos, fatores associados à exclusão educacional e à vulnerabilidade econômica.
Outra mudança registrada neste ano foi o local das ocorrências. Pela primeira vez, as ações de resgate foram mais numerosas em cidades do que no meio rural. As áreas urbanas responderam por 68% dos casos identificados. As equipes encontraram situações de exploração em atividades como construção civil, serviços ligados à administração pública, indústria, mineração ilegal, agricultura e trabalho doméstico.

A diretora do Departamento de Fiscalização do Trabalho, Dercylete Loureiro, explicou que esse padrão reflete problemas históricos e mencionou casos de pessoas submetidas a essas condições por décadas, algumas desde a infância. Segundo ela, o crescimento dos registros se deve ao aprimoramento das inspeções, que passaram a alcançar contextos antes pouco visíveis.
A coordenadora-geral Shakti Borela ressaltou que os dados representam vidas afetadas e são resultado de uma atuação integrada entre Inspeção do Trabalho, MPT, MPF, DPU, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e organizações civis.
O balanço foi apresentado em evento que marcou o Dia do Auditor-Fiscal do Trabalho e o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, com homenagem aos auditores assassinados na Chacina de Unaí.
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