Um estudo publicado nesta segunda-feira (12) na revista da Sociedade para o Estudo da Dependência Química estimou a partir de qual dose semanal de maconha há aumento significativo do risco de desenvolver transtorno por uso de cannabis (TUC). A condição é caracterizada pela dificuldade de controlar o consumo da droga, mesmo diante de prejuízos à vida cotidiana, além de sintomas de abstinência quando o uso é interrompido.
Pesquisadores da Universidade de Bath, no Reino Unido, liderados pela psicóloga Rachel L. Thorne, estabeleceram uma medida padronizada de consumo com base no tetrahidrocanabinol (THC), principal composto psicoativo da maconha. Cada unidade de THC foi definida como equivalente a 5 miligramas, em modelo semelhante ao utilizado para calcular doses de álcool.

Os resultados indicam que o consumo semanal de seis unidades de THC (30 mg) por adolescentes e de 8,3 unidades (41,3 mg) por adultos já é suficiente para o desenvolvimento de sintomas de TUC. Quantidades superiores a 6,45 unidades (32,2 mg) entre adolescentes e 13,4 unidades (67 mg) entre adultos foram associadas a risco de transtorno moderado a grave. Segundo o estudo, o consumo diário de um baseado pode ser suficiente para o desenvolvimento da condição, considerando estimativas de que um cigarro médio contenha cerca de 7 mg de THC.
Para chegar às conclusões, os pesquisadores analisaram dados do estudo CannTeen, que acompanhou 85 adolescentes de 16 e 17 anos e 65 adultos entre 26 e 29 anos que haviam consumido maconha regularmente no ano anterior. Os participantes foram entrevistados cinco vezes ao longo de um ano, e ao final do período passaram por avaliação clínica para diagnóstico de TUC.
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Embora a amostra seja considerada limitada, os modelos utilizados demonstraram alta sensibilidade, sendo capazes de identificar corretamente nove em cada dez indivíduos diagnosticados com o transtorno. Os autores ressaltam que outros fatores, além da quantidade consumida, influenciam o risco, como a potência da substância, o método de uso e a composição dos produtos.
Especialistas destacam que os limites propostos não substituem avaliação médica, mas podem auxiliar na orientação de consumidores e na identificação precoce de riscos. Um desafio apontado é a dificuldade de muitos usuários em saber o teor de THC presente nos produtos, especialmente em contextos de mercado ilegal ou cultivo doméstico.
O estudo também reforça que, embora limites de consumo possam ajudar na comunicação de riscos à saúde, a única forma totalmente segura de evitar o transtorno por uso de cannabis é a abstinência.










