Para milhões de brasileiros, janeiro é o mês mais desafiador do ponto de vista financeiro. Logo após as despesas das festas de fim de ano, o início do calendário concentra uma série de gastos obrigatórios e sazonais que acabam pressionando o orçamento das famílias de forma simultânea.
Uma pesquisa da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box ajuda a dimensionar esse peso. Segundo o levantamento, 55% dos brasileiros estimam gastar até R$ 4 mil apenas com as contas do início do ano, que incluem despesas como IPVA, IPTU, matrícula e material escolar, seguros e outras taxas recorrentes. O valor chama atenção porque supera a renda média mensal do brasileiro, estimada em cerca de R$ 3,2 mil, o que explica por que janeiro costuma exigir parcelamentos, renegociações ou cortes em outras áreas do consumo.

O estudo também mostra que apenas 59% dos entrevistados dizem ter se preparado financeiramente para essas despesas, indicando que uma parcela significativa da população entra no ano novo sem reservas suficientes para arcar com os compromissos concentrados nesse período.
Outro fator determinante é o calendário de impostos. Dados do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises do Rio de Janeiro (IFec RJ) revelam que 75,4% dos consumidores não reservaram recursos ao longo do ano anterior para pagar IPTU, IPVA e despesas escolares. Como consequência, muitos recorrem ao parcelamento: 57,7% afirmam pagar o IPTU em parcelas e 53,8% fazem o mesmo com o IPVA.
No caso da educação, o impacto também é imediato. A pesquisa do IFec RJ aponta que 67,9% das matrículas escolares são pagas à vista, o que aumenta a pressão sobre o orçamento logo nas primeiras semanas do ano, especialmente para famílias com mais de um filho em idade escolar.
A soma desses compromissos ajuda a explicar por que janeiro é frequentemente percebido como o mês “mais longo” do ano. Embora tenha apenas 31 dias, ele concentra gastos que, em muitos casos, correspondem a despesas anuais inteiras, criando um desequilíbrio entre renda e obrigações financeiras.
Especialistas em finanças pessoais destacam que o cenário se repete ano após ano e afeta, sobretudo, famílias de renda média e baixa, que têm menos margem para poupança ao longo do ano. Sem planejamento prévio, o início do calendário acaba marcado por endividamento, uso do décimo terceiro salário ou renegociação de contas.
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Mais do que uma sensação coletiva, os dados mostram que janeiro é, de fato, o mês com mais contas no Brasil, resultado direto da concentração de impostos, despesas escolares e outros pagamentos que não podem ser adiados, tornando o começo do ano um dos períodos mais críticos para o bolso do brasileiro.









