85% das abordagens policiais truculentas foram sobre pessoas negras, aponta pesquisa

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Um levantamento realizado pelo Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD), em parceria com o Data Labe e o laboratório de informações e narrativas do Complexo da Maré, mostra que, em 85% dos casos de abordagens violentas da Polícia Militar no Rio de Janeiro, as vítimas eram negras. 

55% das abordagens policiais são sobre homens negros – Foto: Vanessa Ataliba/Estadão Conteúdo/Zimel Press

De acordo com Samantha Reis, cientista de dados do Data Labe, a campanha-pesquisa “Por que eu?” busca jogar luz sobre a falta de dados sobre a truculência policial no país. Ainda segundo ela, sem dados sobre as abordagens das polícias do Brasil, o Data Labe e o IDDD decidiram coletar essas informações com a população para entender a realidade estatística das abordagens. “Não há na base da polícia dados de abordagem policial. Então a ideia é realmente discutir, sair do imagético. Construir dados para discutir como a raça interfere nas abordagens policiais. Nós sempre dizemos que isso acontece, agora mostraremos os dados”, afirma.

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Metodologia

O Data Labe entrevistou 1761 pessoas, com garantia de anonimato, para, segundo Samantha, garantir a integridade dos moradores. O levantamento mostrou também que 85% dos abordados pela polícia são negros e 55% são homens. “É bem interessante como a figura da pessoa negra é lida como um medo social, um perigo pela polícia”, completa Samantha

Para João Paulo Mota, coordenador do Data Labe, os dados compilados estabelecem um padrão muito simples: jovens negros são abordados indistintivamente. “Além disso, mostram que o tratamento recebido é muito mais violento e opressor quando comparado às respostas das pessoas autodeclaradas brancas. Esse mapeamento ocupa um lugar que é deixado propositalmente vazio pela polícia. O estado, não divulgando seus dados sobre abordagens, reproduz sua conduta: a subjetividade.”, completa. 

“A polícia já tem o jovem negro como suspeito e por isso o abordam mais e mais violentamente. Então, os dados pressionam para que haja critérios claros e documentação pertinente para cada abordagem, em acordo com a decisão da corte interamericana em caso apresentado pelo IDDD. Assim, os dados vão encorpar defesas, ações no Ministério Público para pressionar por critérios mais claros de abordagens e assim frear a ação racista da polícia”, finaliza João Paulo. 

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