Segundo a pesquisa, 10% dos mais ricos no Brasil concentram cerca de 64,2% da renda declarada em 2023.
Um novo relatório do Ministério da Fazenda escancara a profunda desigualdade na distribuição de renda e riqueza no Brasil. De acordo com o Relatório da Distribuição Pessoal da Renda e da Riqueza da População Brasileira, divulgado no dia 1º, o 1% mais rico do país concentra 37,3% de toda a riqueza declarada no Imposto de Renda de 2023.
Os dados mostram que a concentração não se limita ao topo extremo. Os 10% mais ricos detêm 64,2% da renda declarada e mais da metade desse montante está justamente nas mãos do 1% mais abastado.

Foto: Real Moeda brasileira
Apesar do crescimento da renda no topo da pirâmide, o relatório revela um dado que aprofunda o debate sobre justiça fiscal: quanto maior a renda, menor é a alíquota efetiva paga em impostos. Segundo a Secretaria de Política Econômica (SPE), a maior taxa média de imposto pago foi de cerca de 12%, observada entre os 93% mais ricos. A partir daí, a alíquota começa a cair, chegando a apenas 4,6% entre o 0,01% mais rico da população.
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O estudo também analisou a composição da renda isenta de Imposto de Renda em 2023. Os lucros e dividendos, isentos de tributação, representaram 34,9% desse total. Em seguida aparecem os chamados “outros rendimentos isentos” (18,7%). Já aplicações financeiras como Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA), enquadradas como rendimentos de poupança, responderam por 5,7% da renda isenta.
Desigualdade racial e de gênero
O relatório também amplia o olhar para além dos declarantes do Imposto de Renda, usando estimativas da PNAD Contínua para mapear desigualdades de raça e gênero na renda brasileira. Nesse recorte, as mulheres negras aparecem na pior posição, com renda média anual em torno de R$ 20 mil, cerca da metade da média nacional, que ficou próxima de R$ 40 mil.
Os homens negros também estão abaixo da média, enquanto mulheres brancas se aproximam do valor médio nacional. Já os homens brancos lideram com folga, ultrapassando R$ 60 mil de renda média anual.
A desigualdade também se expressa na participação da renda total do país. Entre os 10% mais pobres, as mulheres negras concentram 39,8% da renda desse grupo. No entanto, sua presença despenca quando se observa o topo da pirâmide: entre os 10% mais ricos, elas representam apenas 9,4% da renda. Nesse mesmo estrato, os homens brancos concentram 42,2%, enquanto, entre os mais pobres, sua participação cai para 10,3%.
Os números reforçam que a concentração de renda no Brasil não é apenas econômica, mas também racial e de gênero, evidenciando como o sistema tributário e o mercado de trabalho seguem reproduzindo desigualdades históricas.









