Vazamento durante perfuração na Foz do Amazonas acende alerta entre indígenas e ribeirinhos

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Comunidades indígenas e ribeirinhas do Amapá e do Pará vivem um clima de apreensão após o vazamento de um fluido de perfuração ocorrido no dia 4 de janeiro, durante atividades da Petrobras na Bacia da Foz do Amazonas. Lideranças locais afirmam que o episódio reforça receios antigos sobre acidentes mais graves, com possíveis impactos ambientais e ameaças diretas às fontes de alimento e ao modo de vida tradicional.

O vazamento aconteceu no bloco FZA-M-059, durante a perfuração do poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, a uma profundidade de 2.700 metros, segundo o Amazônia Real. O problema foi identificado em duas tubulações auxiliares que ligam a sonda ao poço. Após o incidente, a Petrobras suspendeu as perfurações de pesquisa e não informou quando pretende retomar as atividades.

O fluido utilizado, conhecido como lama de perfuração, é composto por água, argila e produtos químicos empregados para lubrificar a broca, controlar a pressão e evitar o colapso do poço. Segundo a Petrobras, o material atende aos limites de toxicidade permitidos, é biodegradável e não representa riscos às pessoas ou ao meio ambiente. Ainda assim, a estatal não esclareceu as causas do vazamento.

Comunidades indígenas e ribeirinhas do Amapá e do Pará vivem um clima de apreensão após o vazamento de um fluido de perfuração – Foto: Leonardo Milano/ICMBio.

Organizações indígenas e socioambientais também reagiram. A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira declarou que o episódio “reforça os alertas sobre os riscos reais, graves e irreversíveis da exploração de petróleo na região”, disse em nota. Já o Ministério Público Federal no Amapá requisitou esclarecimentos da Petrobras e do Ibama, que informou estar apurando as causas do vazamento.

Enquanto isso, entidades voltaram à Justiça pedindo a suspensão imediata das perfurações, argumentando que o acidente demonstra que os riscos da exploração na Foz do Amazonas são concretos e imediatos, especialmente em uma das regiões ambientalmente mais sensíveis do planeta.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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