A Vale voltou a ocupar em 2025 o posto de maior produtora de minério de ferro do mundo, sete anos após perder a liderança global. A mineradora atingiu produção anual de 336 milhões de toneladas, superando as 327,3 milhões da anglo australiana Rio Tinto. O resultado foi divulgado no relatório de produção e vendas da companhia nesta terça feira (27), que também aponta crescimento de 6 por cento na produção do quarto trimestre, com 90,4 milhões de toneladas.
O desempenho reforça a recuperação operacional da empresa no mercado internacional de commodities. O complexo S11D, em Carajás no Pará, registrou recorde de 86 milhões de toneladas no ano. As vendas de finos de minério somaram 273 milhões de toneladas em 2025, alta de 4,9 por cento. O preço médio do produto ficou em 91,6 dólares por tonelada. No cobre e no níquel, a companhia também registrou crescimento de produção e vendas, ampliando sua posição no setor de mineração.

A retomada da liderança global ocorre em paralelo a um histórico recente marcado por dois dos maiores desastres socioambientais do Brasil. Em 2015, o rompimento da barragem de Fundão, operada pela Samarco, joint venture entre Vale e BHP, despejou 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos na bacia do Rio Doce. Dezenove pessoas morreram e comunidades inteiras foram destruídas. A lama percorreu cerca de 700 quilômetros até o Oceano Atlântico, afetando fauna, flora, pesca e abastecimento de água em dezenas de municípios.
Quatro anos depois, em 2019, a barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, rompeu liberando 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos. O desastre matou 270 pessoas e contaminou a bacia do Rio Paraopeba. O episódio levou ao bloqueio judicial de 11 bilhões de reais do caixa da empresa para reparação dos danos. O Ibama aplicou multa de 250 milhões de reais.
Estudos posteriores apontaram contaminação por metais pesados em rios e córregos das regiões atingidas, além de impactos prolongados na saúde pública e no meio ambiente. Relatórios técnicos também indicaram falhas de segurança em barragens do tipo montante, modelo utilizado nas estruturas que colapsaram.
Apesar das penalidades, a companhia passou por reestruturação societária em 2017 e adotou nova política de mercado e dividendos. Desde então, suas ações acumularam valorização de 83 por cento. Enquanto amplia produção e receitas, os processos de reparação e responsabilização seguem em curso, mantendo em debate o equilíbrio entre desempenho econômico e segurança socioambiental no setor mineral brasileiro.









