Tiktok remove vídeos de IA que sexualizavam mulheres negras

Screenshot-2025-12-29-11.50.43.png

Tiktok - Foto: Divulgação/Pixabay

A exclusão dos conteúdos no Tiktok aconteceram depois de denúncia em reportagem feita pela BBC e  pesquisadores da Riddance. A plataforma baniu 20 contas que produziam esse tipo de conteúdo

A plataforma TikTok baniu 20 contas que utilizavam imagens sexualizadas de mulheres negras geradas por inteligência artificial. A remoção dos perfis e dos vídeos, que criavam personagens e avatares digitais, ocorreu após denúncia revelada em reportagem da BBC, em parceria com pesquisadores da Riddance.

Além do TikTok, contas semelhantes também foram identificadas no Instagram. A investigação aponta a existência de uma rede de perfis que utilizava avatares hiper-realistas de mulheres negras gerados por IA, frequentemente construídos com traços estereotipados e hipersexualizados. Esses perfis simulavam influenciadoras digitais e funcionavam como isca para direcionar usuários a sites externos com conteúdo adulto.

Tiktok bani contas e vídeos que sexualizam mulheres negras e são gerados por IA Foto: Divulgação/Pixabay

Segundo os pesquisadores, os vídeos muitas vezes não eram identificados como conteúdo gerado por inteligência artificial, o que ampliava o potencial de engano e violava regras básicas de transparência. Em alguns casos, o material também envolvia apropriação de identidade e manipulação de imagens, como no caso da criadora de conteúdo Riya Ulan, modelo da Malásia.

O rosto de um avatar, apresentado como uma figura de pele negra retinta gerada por IA, foi sobreposto à imagem e ao corpo de Riya. Seus movimentos, roupas e cenários foram replicados sem consentimento. A conta em questão soma mais de três milhões de seguidores.

Os avatares eram frequentemente retratados com trajes de banho mínimos ou outras roupas reveladoras, além de apresentarem corpos com proporções exageradas. Em alguns casos, os tons de pele eram artificialmente escurecidos por manipulação digital, resultando em uma aparência pouco natural e reforçando estereótipos raciais.

Leia também: ECA Digital entra em vigor; nova lei reforça proteção de crianças e adolescentes na internet

O Notícia Preta entrou em contato com a assessoria do TikTok no Brasil para pedir esclarecimentos sobre o caso, mas até o fechamento desta reportagem não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

Layla Silva

Layla Silva

Layla Silva é jornalista e mineira que vive no Rio de Janeiro. Experiência como podcaster, produtora de conteúdo e redação. Acredita no papel fundamental da mídia na desconstrução de estereótipos estruturais.

Deixe uma resposta

scroll to top