Tati Quebra Barraco denuncia irregularidades em direitos autorais e recebe apoio de nomes do funk

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Tati Quebra Barraco acusa DJs de lucrarem com suas músicas

A cantora Tati Quebra Barraco denunciou DJs como Dennis DJ e DJ Marlboro por irregularidades no pagamento de direitos autorais de músicas de sua carreira e afirmou que não recebe por obras de sua própria autoria. O desabafo, publicado nas redes sociais no último domingo (15), ganhou repercussão após artistas como Buchecha e os herdeiros de Mr. Catra se manifestarem em apoio à funkeira e relatarem situações semelhantes dentro da indústria do funk.

Segundo Tati, o problema começou ainda no início da carreira, quando tinha 17 anos. “Eu era nova, ingênua e fui passada para trás. Só que isso não mudou”, afirmou. A artista citou a música “Barraco 2” como um dos principais exemplos, dizendo que, apesar de ser autora da obra, nunca recebeu pelos direitos. “São dois DJs que recebem esse dinheiro. Um é o Dennis DJ. E o outro, como não tenho certeza, não vou citar nome”, declarou.

A cantora também mencionou DJ Marlboro ao denunciar o uso não autorizado de sua imagem e voz. “Hoje, inclusive, ele fez uma IA de um clipe que não foi autorizado por mim. Os direitos da música dele, tudo bem. Mas a minha voz e rosto ele não pode divulgar”, disse. Segundo Tati, a falta de controle sobre suas próprias músicas impacta diretamente sua renda e sua atuação profissional. “Vocês não têm noção de quanto eu perco de publicidade. É muita coisa. A Tati não pode trabalhar. Só pode trabalhar se ele autorizar”, afirmou.

Tati Quebra Barraco acusa DJs de lucrarem com suas músicas

Após a denúncia, outros nomes importantes do funk vieram a público relatar experiências semelhantes. O cantor Buchecha afirmou que o problema é antigo e atinge diversos artistas do gênero. “A bomba está estourando. Essa bomba ia estourar em algum momento. Eu também já fui vítima dessas editoras do funk”, disse em vídeo publicado nas redes sociais.

Os herdeiros de Mr. Catra também divulgaram um comunicado em apoio à funkeira. Na nota, a família afirma que o artista, morto em 2018, não recebeu prestações de contas sobre a exploração de suas músicas, nem repasses financeiros ao longo dos anos. “Não houve envio de relatórios ou prestação de contas”, diz o texto, que classifica a situação como uma violação de direitos autorais e uma injustiça com o legado do cantor.

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Em resposta às acusações, Dennis DJ afirmou que a música “Barraco 2” está registrada em nome de Tati Quebra Barraco desde 2020. Segundo ele, a autoria foi atribuída a seu nome no início dos anos 2000 pela Furacão 2000 e corrigida posteriormente. O DJ informou ainda que solicitou à União Brasileira de Compositores (UBC) a devolução de R$ 1.203,75 recebidos antes da regularização.

O caso reacende um debate recorrente no funk sobre a falta de transparência na gestão de direitos autorais, a informalidade nos contratos e as dificuldades enfrentadas por artistas, sobretudo no início da carreira, para garantir reconhecimento e remuneração por suas próprias obras. A repercussão das denúncias indica que o tema, historicamente restrito aos bastidores, começa a ganhar maior visibilidade pública e pressão por mudanças no setor.

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