Relatório aponta trabalhadores informais entre as principais vítimas de tiros em Salvador

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Mototaxistas, entregadores e outros trabalhadores informais figuram entre os mais atingidos pela violência armada em Salvador e na Região Metropolitana em 2025. O relatório anual do Instituto Fogo Cruzado, divulgado na última semana, mostra que a dinâmica dos 1.505 tiroteios registrados no ano tem impacto direto sobre quem depende da rua para trabalhar.

Entre as ocupações mais afetadas estão 16 mototaxistas, nove entregadores, sete motoristas de aplicativo, dois vendedores ambulantes, dois rifeiros, dois políticos e uma liderança religiosa baleados ao longo do ano. O levantamento também indica que homens negros aparecem de forma desproporcional entre as vítimas, evidenciando como a violência atinge sobretudo trabalhadores periféricos.

Do total de 1.525 pessoas baleadas, 605 foram atingidas durante ações e operações policiais, o que representa 40% dos casos. As ações policiais corresponderam a 44% dos tiroteios do ano, o maior patamar da série histórica monitorada pelo instituto. Em 2024, essa proporção foi de 38%.

Mototaxistas, entregadores e outros trabalhadores informais figuram entre os mais atingidos pela violência armada em Salvador e na Região Metropolitana em 2025 – Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil.

A letalidade em chacinas cresceu 82%: 95 pessoas morreram nesse tipo de ocorrência em 2025, contra 55 no ano anterior. Das 34 chacinas registradas, 25 ocorreram durante operações policiais.

A violência também alcançou crianças e adolescentes. Ao menos 69 foram baleados, sendo 29 durante ações policiais. O impacto chegou ainda às escolas: 252 unidades tiveram tiroteios no entorno, e 67% dos disparos em raio de até 300 metros, entre 6h e 22h, aconteceram em ações policiais.

“A Bahia insiste na letalidade policial como política de Estado. Não se trata de excessos pontuais, mas de uma estratégia que aposta no confronto permanente, mesmo diante de evidências de que esse modelo amplia a violência e não reduz o poder das organizações criminosas”, afirma Tailane Muniz, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado na Bahia.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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