Participação de juízes negros cresce, mas ainda é de 14% no Judiciário

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A presença de pessoas negras na magistratura brasileira permanece distante da composição racial do país. Dados do Conselho Nacional de Justiça indicam que juízes negros representam 14% nos ramos Estadual, Federal e do Trabalho, mesmo após avanços recentes impulsionados por políticas de ação afirmativa.

Em 2023, havia 17.669 magistrados nesses três ramos, dos quais 2.100 eram negros, o equivalente a 11,9%. Em 2026, o total de juízes chegou a 18.810, com 2.647 magistrados negros, o que corresponde a 14,1%.

O crescimento de 2,2 pontos percentuais em três anos indica avanço gradual. No mesmo período, o número total de magistrados aumentou em 1.141 vagas, enquanto o contingente de juízes negros cresceu em 547, representando quase metade da expansão da carreira.

Dados do Conselho Nacional de Justiça indicam que juízes negros representam 14% nos ramos Estadual, Federal e do Trabalho – Foto: Pexels.

A análise levantada pelo Portal Migalhas mostra que, na Justiça Estadual, o número de magistrados negros passou de 1.462 para 1.856 entre 2023 e 2026. Na Justiça do Trabalho, subiu de 479 para 567. Já na Justiça Federal, foi de 159 para 224. Apesar disso, a participação de juízes negros permanece abaixo de 16% em todos os ramos e pouco acima de 10% na Justiça Federal.

Os dados também indicam que a ampliação da presença negra é mais recente. Entre magistrados que ingressaram a partir de 2020, a participação chega a 18,94%, enquanto entre os que entraram antes disso o índice se mantém entre 12% e 13%.

O Conselho Nacional de Justiça estabeleceu, desde 2015, a reserva de 20% das vagas em concursos para a magistratura e servidores do Judiciário. Em 2023, o órgão ajustou regras para evitar barreiras adicionais a candidatos cotistas e reforçou mecanismos de validação da autodeclaração racial.

Mesmo com essas medidas, os dados mostram que a mudança na composição racial do Judiciário ocorre de forma lenta e ainda não reflete a diversidade da população brasileira.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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