37% aceitam comprar ovos de Páscoa quebrados para economizar, aponta pesquisa

Ovo de páscoa

Seis em 10 são influenciados por redes sociais; 41% precisarão ajustar finanças para encaixar chocolates no orçamento - Foto: Pexels

Com o aumento no preço do chocolate, consumidores brasileiros estão mudando hábitos para manter a tradição da Páscoa. Pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil aponta que 37% das pessoas aceitariam comprar ovos de Páscoa quebrados ou com algum defeito estético para economizar até 50%.

A mudança de comportamento revela uma adaptação direta à pressão econômica. Para quem compra para consumo próprio, o sabor e o preço passaram a ser mais importantes do que a apresentação do produto, que historicamente tem forte apelo simbólico e afetivo.

Ovo de páscoa
Seis em 10 são influenciados por redes sociais; 41% precisarão ajustar finanças para encaixar chocolates no orçamento – Foto: Pexels

O impacto no orçamento é significativo: 41% dos entrevistados afirmam que precisarão ajustar as finanças para conseguir incluir o chocolate nas compras da data. Para isso, muitos recorrem a cortes em outras áreas do dia a dia. Cerca de 24% pretendem reduzir gastos com lazer, como saídas e delivery, enquanto 12% admitem até substituir itens da cesta básica para garantir a compra.

Em cenários mais extremos, 30% recorrem a alternativas como empréstimos, cheque especial ou uso de cartão de terceiros para conseguir comprar os produtos. Ao mesmo tempo, 52% optam por itens mais baratos como estratégia para não abrir mão da celebração.

A pesquisa também mostra o peso das redes sociais nas decisões de compra. Cerca de 61% dos consumidores dizem ser influenciados por tendências que viralizam em plataformas como TikTok e Instagram. Entre eles, 24% admitem comprar por impulso apenas para experimentar produtos que estão em alta.

Ainda assim, o preço continua sendo um fator decisivo. Para 37%, o valor final pode impedir a compra, mesmo diante da curiosidade despertada pelas redes. Já 34% ignoram completamente as tendências e preferem manter escolhas tradicionais.

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Mesmo com as dificuldades financeiras, a Páscoa segue sendo uma data importante para os brasileiros. Para 59% dos consumidores, o preço deixa de ser relevante quando o presente é destinado a alguém especial. Esse comportamento é ainda mais forte entre pais: 20% afirmam que compram o que os filhos pedirem, independentemente do valor.

O levantamento também revela um aspecto emocional e, por vezes, silencioso do consumo. Cerca de 67% dos entrevistados admitem fazer compras fora do planejado, e 41% dizem esconder o valor real gasto de familiares para evitar conflitos.

O cenário evidencia como a combinação de inflação, pressão social e apelo afetivo impacta diretamente o consumo das famílias, especialmente entre as classes média e baixa, que precisam equilibrar orçamento e tradição em um contexto de renda limitada.

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