O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (3) que o debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 precisa ser conduzido por meio de diálogo entre trabalhadores, empresários e governo. Durante a abertura da Conferência Nacional do Trabalho, realizada no Anhembi, em São Paulo, o presidente defendeu que a definição da jornada leve em conta as diferenças entre categorias profissionais.
“Não iremos contribuir para prejudicar os trabalhadores e também não queremos contribuir para prejuízo da economia brasileira. Queremos contribuir para, de forma bem pensada e harmonizada, a gente possa encontrar uma solução. Qual é a jornada ideal? Para muitas categorias tem jornada diferenciada. Pode ter até regra geral, mas na hora de regulamentar vai ter que cair na especificidade de cada categoria”, disse.
Em 2024, o Brasil atingiu o maior número de afastamentos no trabalho por ansiedade e depressão na última década. Os dados mostram que foram concedidas 472.328 licenças médicas no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), por transtornos psicológicos.

Lula afirmou que o governo trabalha na construção de propostas que atendam simultaneamente trabalhadores e setor produtivo. “Estamos tentando construir um conjunto de propostas que interessa a empresários e trabalhadores para dar mais comodidade nesse mundo nervoso para que as pessoas tenham mais tempo de estudar, ficar com família, descansar”, declarou.
A redução da jornada semanal de 44 para 40 horas se tornou uma das principais propostas econômicas defendidas por Lula. O tema, no entanto, enfrenta resistência de parte do setor produtivo, que argumenta que a mudança pode elevar custos para empresas e impactar preços ao consumidor.
O evento contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e dos ministros Luiz Marinho (Trabalho), Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento).
Tebet afirmou que a redução da jornada é viável e defendeu o fim da escala 6×1. “dizer que o Brasil vai quebrar com o fim da escala 6×1 é não conhecer a realidade do Brasil”.
A ministra também citou estudos produzidos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que, segundo ela, indicam a viabilidade da mudança.
Fernando Haddad afirmou que a discussão sobre jornada de trabalho precisa envolver a sociedade e estar ligada ao desenvolvimento econômico e tecnológico do país.
Luiz Marinho declarou que a redução da jornada pode elevar custos empresariais, mas afirmou que a medida pode melhorar as condições de trabalho e a qualidade de vida.
O ministro também informou que o governo pode enviar um projeto de lei com urgência ao Congresso caso avalie que a tramitação atual sobre o tema não avance com a velocidade esperada.
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