Na Amazônia Legal, falta de saneamento atinge 98% dos indígenas; média nacional é de 27%

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Mais da metade das cidades com pior saneamento estão na Amazônia Legal. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Conforme dados do Censo de 2022 divulgados pelo IBGE, a esmagadora maioria dos povos indígenas residentes em terras demarcadas da Amazônia sofre com a falta de saneamento básico adequado. O estudo “Áreas Protegidas na Amazônia Legal: Um retrato ambiental e estatístico” aponta que 98% desses habitantes têm acesso inadequado a água, esgoto ou coleta de lixo.

Em comparação, esse problema atinge 27,3% da população geral do Brasil. A análise do instituto considera apenas domicílios particulares permanentes, excluindo habitações indígenas tradicionais sem paredes, como malocas, onde não se espera a presença de infraestrutura convencional.

A situação é igualmente grave nos territórios quilombolas da mesma região, onde 96,9% da população enfrenta deficiências nos três serviços de saneamento. Marta Antunes, gerente de Povos e Comunidades Tradicionais do IBGE, disse em entrevista que os números mostram uma carência de investimentos. Ela defendeu a necessidade de adaptar as políticas públicas “para a realidade mais rural e mais isolada” dessas comunidades tradicionais.

Mais da metade das cidades com pior saneamento estão na Amazônia Legal – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil.

O retrato geral das unidades de conservação na Amazônia Legal, que podem incluir terras indígenas e quilombolas, também é preocupante. Dos 2,27 milhões de pessoas que vivem nessas áreas, 75,2% lidam com algum tipo de precariedade no saneamento. Desse total, 22,2% enfrentam problemas concomitantes de água, esgoto e lixo, uma situação que afeta apenas 3% dos brasileiros em média.

O estudo ainda revela um abismo educacional. A taxa de analfabetismo entre indígenas da Amazônia Legal é de 22,7%, mais que o triplo da média nacional de 7%. Entre os quilombolas, o índice é de 17,9%, e nas unidades de conservação como um todo, chega a 12,9%.

Segundo o IBGE, as terras indígenas da Amazônia Legal abrigavam 428.105 pessoas em 2022, enquanto as áreas quilombolas somavam 91.784 residentes. A região concentra 84,11% da população nacional que vive em Reservas Extrativistas, Reservas de Desenvolvimento Sustentável e Florestas Nacionais, Estaduais ou Municipais.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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