Mulheres lideram uso de IA para saúde no Brasil, aponta estudo

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As mulheres brasileiras utilizam mais ferramentas de inteligência artificial para buscar informações sobre saúde do que os homens. É o que aponta um levantamento da plataforma ‘Olá Doutor’, que mostra que 74,5% delas recorreram a tecnologias como ChatGPT e Gemini no último ano para tirar dúvidas médicas. Entre os homens, o índice é de 66,2%.

O estudo indica que o uso da inteligência artificial já faz parte da rotina de grande parte da população. Ao todo, cerca de 7 em cada 10 brasileiros afirmaram ter utilizado essas ferramentas para pesquisar sintomas, doenças ou orientações relacionadas à saúde.

Entre os temas mais buscados estão sintomas gerais, como dores e febre, citados por 59,6% dos entrevistados. Questões ligadas à alimentação e nutrição aparecem em seguida, com 54%, além de temas de saúde mental, como ansiedade e estresse, mencionados por 46,8%.

74,5% das brasileiras recorrem à inteligência artificial para dúvidas médicas, contra 66,2% dos homens 

A pesquisa também mostra que o uso da tecnologia é mais frequente entre jovens e estudantes, especialmente pessoas com até 30 anos. Entre indivíduos com doenças crônicas, o percentual de uso é ainda maior, chegando a 81,4%.

Além da busca por sintomas, quase metade dos entrevistados afirmou utilizar a inteligência artificial para entender informações médicas mais complexas. Cerca de 49% disseram já ter pesquisado sobre medicamentos, enquanto 41,6% recorreram à tecnologia para compreender diagnósticos e 35,4% para interpretar exames.

O levantamento aponta que o uso dessas ferramentas tem influenciado a forma como as pessoas lidam com a própria saúde. Mais da metade dos entrevistados afirmou ter passado a prestar mais atenção aos sinais do corpo, e 52,4% disseram buscar mais informações sobre prevenção.

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Por outro lado, o estudo também identifica riscos associados ao uso da inteligência artificial sem acompanhamento profissional. Parte dos entrevistados relatou aumento da ansiedade após pesquisas online, enquanto outros disseram ter interpretado sintomas de forma incorreta.

“Ferramentas podem ampliar o acesso à informação, mas não substituem a análise clínica feita por um profissional de saúde”, afirma Anderon Zilli, CEO do Olá Doutor.

Segundo ele, a expansão da telemedicina pode ajudar a reduzir esses riscos, ao facilitar o acesso a consultas médicas. “Hoje, consultas online permitem que pacientes tenham orientação profissional em poucos cliques”, diz.

O levantamento ouviu 500 pessoas maiores de 18 anos em todas as regiões do país, com margem de erro de 3,3 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Apesar do avanço da tecnologia, os dados indicam que ainda há cautela por parte da população. Mais da metade dos entrevistados afirmou ter algum grau de desconfiança em relação ao uso de dados pessoais em plataformas de inteligência artificial.

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