Choro repentino, crises de riso ou uma sensação inesperada de tristeza após o orgasmo são experiências relatadas por muitas mulheres e, segundo um novo estudo norte-americano, não indicam qualquer problema de saúde. Pesquisa conduzida pela Universidade George Washington, nos Estados Unidos, identificou que 88% das mulheres que apresentaram o chamado fenômeno periorgásmico relataram respostas emocionais após o orgasmo.
O estudo ouviu cerca de 3.800 mulheres adultas. Inicialmente, as participantes assistiram a um vídeo explicativo sobre o fenômeno divulgado em redes sociais e, em seguida, responderam anonimamente a um questionário sobre reações físicas e emocionais durante e após o orgasmo. Do total, 86 mulheres afirmaram vivenciar algum tipo de resposta periorgásmica.

Entre essas participantes, 88% relataram respostas emocionais, como choro, tristeza após o sexo ou crises de riso sem motivo aparente. Já 61% citaram sintomas físicos, incluindo dor de cabeça, fraqueza muscular, formigamento nos pés, coceira no rosto, espirros, bocejos e, em casos raros, sangramento nasal. Além disso, 21% disseram experimentar reações físicas e emocionais simultaneamente.
Na maioria dos casos, os episódios ocorrem de forma ocasional. No entanto, 17% das mulheres relataram vivenciar os sintomas de maneira consistente. As reações apareceram principalmente durante relações sexuais com outra pessoa, mas também foram registradas em situações de masturbação ou uso de vibradores.
LEIA TAMBÉM: Fazer sexo acelera a cicatrização da pele, aponta novo estudo
Especialistas ouvidos no estudo destacam que essas respostas são incomuns, mas não raras, e não estão associadas a disfunções sexuais ou à qualidade do orgasmo. Segundo os pesquisadores, o fenômeno está relacionado à intensa liberação de neurotransmissores e hormônios durante o clímax sexual, o que pode desencadear respostas emocionais inesperadas.
A pesquisadora Lauren Streicher, professora da Faculdade de Medicina Feinberg, da Universidade Northwestern, ressalta que o fenômeno ainda é pouco discutido. “As mulheres precisam saber que, se tiverem crises de riso incontroláveis sempre que atingirem o orgasmo, elas não estão sozinhas”, afirmou.
Os autores do estudo reforçam que, apesar de chamarem atenção, essas reações não representam risco à saúde. Ainda assim, recomendam que mulheres que experimentem desconforto persistente procurem orientação médica para avaliação individual.
A pesquisa contribui para ampliar o debate sobre sexualidade feminina, tema que historicamente recebeu menos atenção científica, e reforça a diversidade das respostas do corpo ao prazer.










