Mulheres são maioria entre cuidadoras de pessoas com autismo no Brasil, aponta pesquisa

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Autismo: mulheres são as principais cuidadoras, revela pesquisa - Foto: Istock

A maior parte das pessoas responsáveis pelo cuidado de autistas no Brasil são mulheres, muitas delas fora do mercado de trabalho. É o que revela o Mapa do Autismo no Brasil, levantamento realizado pelo Instituto Autismos com mais de 23 mil participantes em todo o país.

Segundo a pesquisa, a sobrecarga do cuidado recai principalmente sobre mães e familiares mulheres, o que evidencia um impacto direto na renda e na autonomia dessas cuidadoras. “A maior parte das cuidadoras são mulheres. E grande parte dessas mulheres não estão no mercado de trabalho. Isso fala muito sobre o cuidado”, afirmou a presidente do instituto, Ana Carolina Steinkopf.

Autismo: mulheres são as principais cuidadoras, revela pesquisa – Foto: Istock

O estudo também mostra um avanço importante no diagnóstico. A idade média de identificação do Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil está em torno de 4 anos, alinhada a padrões internacionais. Especialistas apontam que o diagnóstico precoce é fundamental para garantir acesso a tratamentos e direitos.

Apesar disso, o custo continua sendo um dos principais desafios para as famílias. O levantamento indica que os gastos com terapias especializadas ultrapassam R$ 1 mil por mês, valor que pesa especialmente para famílias de baixa renda. Enquanto no Norte e Nordeste há maior dependência do Sistema Único de Saúde (SUS), em outras regiões o acesso ocorre principalmente por meio de planos de saúde.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 2,4 milhões de pessoas são autistas no Brasil. O número reforça a necessidade de políticas públicas voltadas ao atendimento e à inclusão dessa população.

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Em resposta à demanda crescente, o Ministério da Saúde anunciou investimento de R$ 83 milhões para ampliar a rede de atendimento. A medida prevê a criação de 59 novos serviços, incluindo Centros Especializados em Reabilitação (CER) e outras estruturas de apoio.

“A proposta é estruturar uma rede cada vez mais preparada para cuidar das pessoas com TEA, desde a identificação precoce até o atendimento especializado”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em nota.

Os dados completos do estudo devem ser divulgados oficialmente nos próximos dias e servirão de base para recomendações aos governos federal e estaduais, com foco na ampliação do acesso ao diagnóstico, tratamento e suporte às famílias.

O levantamento também evidencia que, além dos desafios de saúde, o autismo no Brasil está diretamente ligado a questões sociais, como desigualdade de acesso, renda e divisão de responsabilidades dentro das famílias, impactando principalmente as mulheres.

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