Mudanças no Fundeb feitas no governo Bolsonaro podem reajustar piso dos professores abaixo da inflação em 2026

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O piso nacional do magistério deve ter, em 2026, um reajuste inferior à inflação, em um cenário que reacende críticas à forma de cálculo vinculada ao Fundeb. A regra atual passou a ser questionada após a reformulação do fundo em 2020, aprovada durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro, quando a estrutura de financiamento da educação básica foi alterada sem a atualização da lei que define a correção salarial dos professores.

A estimativa em discussão aponta para um reajuste próximo de 0,37%, percentual que elevaria o piso em cerca de R$ 18, mantendo o valor pouco acima de R$ 4.800 para professores da educação básica com jornada de 40 horas semanais. O índice projetado ficaria bem abaixo da inflação acumulada de 2025, estimada em torno de 4,4%, o que representaria perda real de poder de compra da categoria. Situação será resolvida até 31 de janeiro.

O reajuste do piso nacional do magistério é definido por uma fórmula estabelecida em lei desde 2008, que vincula a correção salarial à variação do valor anual mínimo por aluno do Fundeb, indicador conhecido como VAAF. Esse valor é calculado a partir da divisão dos recursos que compõem o fundo pelo total de matrículas da educação básica. Sempre que o montante por aluno cresce de um ano para outro, o piso dos professores deve ser reajustado no mesmo percentual, independentemente da inflação ou de negociações salariais.

Entidades representativas dos professores apontam que a regra atual compromete a valorização salarial da categoria. – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

A metodologia, no entanto, tornou-se mais instável após as mudanças estruturais aprovadas em 2020. O novo Fundeb passou a contar com diferentes critérios de complementação da União e novos indicadores de redistribuição de recursos, enquanto a lei do piso permaneceu atrelada exclusivamente ao VAAF. Além disso, a redução no número de alunos da educação básica passou a impactar diretamente o cálculo, limitando o crescimento do indicador mesmo em cenários de aumento nominal do orçamento educacional.

O resultado tem sido a perda de previsibilidade nos reajustes anuais. Em anos recentes, o piso registrou aumentos elevados, seguidos por correções modestas, sem relação direta com a inflação. Estados e municípios alegam dificuldade de planejamento financeiro, enquanto entidades representativas dos professores apontam que a regra atual compromete a valorização salarial da categoria.

Sem consenso entre governadores, prefeitos e sindicatos, cabe ao Ministério da Educação apenas oficializar o percentual apurado pela fórmula prevista em lei. O prazo para a definição termina no fim de janeiro. Até lá, o debate sobre a necessidade de atualizar a legislação do piso segue em aberto, diante de um modelo de financiamento que mudou, mas manteve inalterada a regra que define o reajuste salarial dos professores.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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