Mesmo após acordo com o MPF, família de Preta Gil mantém ação por danos morais contra padre por falas em missa

Captura-de-tela-2026-03-02-112415.png

O padre Danilo Cezar e Preta Gil – Foto: Reprodução

O episódio ocorreu em 27 de julho, durante uma missa transmitida ao vivo pela internet na cidade de Areial, no Agreste paraibano, quando o padre associou a morte de Preta Gil a religião de matriz africana

A família da cantora Preta Gil decidiu dar continuidade ao processo cível por danos morais contra o padre que associou a morte da artista às religiões de matriz africana durante uma missa na Paraíba. A ação segue tramitando na Justiça mesmo depois de o religioso ter firmado um acordo com o Ministério Público Federal (MPF) para encerrar a esfera criminal do caso.

O processo foi protocolado em novembro do ano passado na 41ª Vara Cível do Rio de Janeiro e pede indenização de R$ 370 mil. A iniciativa é movida por familiares da cantora e do músico Gilberto Gil, que buscam, além da reparação financeira, o reconhecimento formal da responsabilidade pelas declarações feitas na homilia. As informações foram divulgadas pelo portal G1.

Família de Preta Gil mantém ação por danos morais contra padre Danilo Cezar Foto: Reprodução

Acordo com o Ministério Público Federal

Para não responder criminalmente por intolerância religiosa, o padre firmou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com o MPF. Entre as medidas previstas estão a confissão da conduta considerada ilícita e o cumprimento de ações educativas, como leituras de obras voltadas ao combate ao racismo religioso.

Apesar disso, no processo cível o religioso apresentou defesa afirmando que apenas manifestou sua fé e não reconheceu ter cometido ato ilícito. Segundo os advogados da família Gil, essa postura contradiz o teor do acordo firmado na esfera criminal, que pressupõe admissão da conduta.

A defesa do padre, por sua vez, sustenta que as duas ações são independentes e que o acordo com o MPF não implica assumir a prática de crime.

Atualmente o processo está com a apresentação da defesa, o caso está agora na fase de réplica, etapa em que os autores da ação podem rebater os argumentos do réu. Depois disso, o processo segue para análise judicial.

Relembre o caso

O episódio ocorreu em 27 de julho, durante uma missa transmitida ao vivo pela internet na cidade de Areial, no Agreste paraibano. Na celebração, o padre citou a morte de Preta Gil, vítima de câncer colorretal, e questionou a eficácia dos orixás cultuados pela família da artista, além de classificar práticas religiosas de matriz afro-indígena como “coisas ocultas” e fazer ameaças de cunho religioso aos fiéis.

Leia também: Crematório do RJ recebe busto de Preta Gil com parte das cinzas e bilhetes de despedida

As declarações provocaram forte repercussão nas redes sociais e levaram representantes de terreiros da região a registrarem boletim de ocorrência por intolerância religiosa.

Mais que indenização

Para os advogados da família, a continuidade da ação não se resume ao pedido financeiro. O objetivo central é obter uma decisão judicial que reconheça o caráter discriminatório das falas, num contexto em que casos de intolerância contra religiões de matriz africana ainda são recorrentes no país.

Layla Silva

Layla Silva

Layla Silva é jornalista e mineira que vive no Rio de Janeiro. Experiência como podcaster, produtora de conteúdo e redação. Acredita no papel fundamental da mídia na desconstrução de estereótipos estruturais.

Deixe uma resposta

scroll to top