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Igreja Universal relança livro ‘Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios?’ que promove ofensas às religiões afro-brasileiras

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Foto: Reprodução

A Universal relançou na última semana o livro Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios?'(1997), de Edir Macedo, que ficou conhecido por ser preconceituoso e tratar religiões afro-brasileiras como ‘seitas demoníacas’.
A obra foi relançada no dia 02 de agosto, justamente em um momento em que proliferam os ataques de terrorismo contra terreiros em todo o país.

O livro do bispo da Universal já alvo de ação do Ministério Público Federal por “promover ofensas às religiões afro-brasileiras”, tratando candomblé, umbanda e quimbanda como “seitas demoníacas”. O processo, movido em 2005 pelo MPF, está parado na Justiça Federal. Na época, os argumentos utilizados pelos Procuradores da República, Sidney Madruga e Cláudio Gusmão, davam conta de que a obra, além de preconceituosa e discriminatória, “dedica quase que a totalidade de suas páginas a promover ofensas às religiões afro-brasileiras”. Segundo o MPF, trechos da publicação tratam as religiões de origem africana como “seitas demoníacas”, “modo pelo qual o demônio age na Terra” ou “canais de atuação dos demônios”. Nos autos, os procuradores afirmam que o bispo responsabiliza a Umbanda, o Candomblé e a Quimbanda “pela destruição do ser humano” e pelo uso de entorpecentes.

Mesmo após denúncias, críticas e até mesmo uma petição no Avaaz assinada por mais de 20 mil pessoas, a Igreja Universal conseguiu, segundo ela, reunir cerca de 980 mil pessoas nos eventos de relançamento que aconteceram em todos os 8.773 templos e catedrais da Igreja Universal do Reino de Deus, por todo o Brasil.

Em nota a IURD tenta se defender dizendo que “sem atacar qualquer religião ou seus praticantes, ‘Orixás, Caboclos e Guias: Deuses ou Demônios?’ ajuda o leitor a compreender como os espíritos malignos agem para enganar, passando-se por espíritos bons” e que também a “obra aponta os caminhos para que a pessoa se liberte deles.”

lançado em 1997 o livro preconceituoso de Edir Macedo já teve mais de 3 milhões de exemplares vendidos e foi traduzido para o espanhol, inglês, russo, alemão e francês. Ele foi lançado em praticamente todos os países da América Latina e África, além de algumas nações da Europa disseminando assim o racismo religioso.

Em novembro do ano passado, um relatório publicado pelo Governo Federal/Ministério dos Direitos Humanos constatou que a cada 15 horas um templo religioso, especialmente das religiões afro-brasileiras, sofre algum tipo de discriminação religiosa, manifestada por meio de agressões verbais, físicas, tortura de sacerdotes, depredação de templos, invasão de territórios etc. 

Nos últimos seis anos houve um crescimento no relato de discriminação por motivo religioso no Brasil, segundo dados do Disque 100 – canal para denúncias de violação de direitos humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Os casos passaram de 15 para 537. Mais da metade das ocorrências registradas (59%) são referentes a religiões de matriz africana, como a Umbanda e o Candomblé; 20% a religiões evangélicas; 11% a espíritas; 8% a católicos; e 2% a ateus.

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