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Idosa é resgatada após 72 anos de trabalho análogo à escravidão no Rio

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Uma idosa foi resgatada de trabalho análogo à escravidão após 72 anos e já é considerado o caso mais longo, segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT). A mulher foi resgatada há dois meses, depois de uma denúncia anônima.

Idosa viveu 72 anos sob regime de trabalho análogo à escravidão – Foto: Reprodução TV Globo

De acordo com o MPT, ela trabalhou a vida toda para uma única família, sem receber salários ou qualquer outro benefício social, como férias e Fundo de Garantia. “Ela não tem a noção que ela foi escravizada. Ela não tem. Ela não tem noção alguma disso”, afirmou Cristiane Lessa, assistente social e diretora do centro de recepção de idosos onde a mulher foi acolhida, em entrevista ao G1.

Ainda segundo o MP, no momento do resgate da mulher, ela cuidava da dona da casa e dormia em um sofá, na entrada do quarto principal. “Essa senhora, que os empregadores alegam que é da família — e não é —, fica absolutamente submissa. O empregador que fala por ela. Qualquer resposta que a gente solicita dela, é o empregador que responde. Os documentos dela não estão de posse dela mesma. O empregador que tem esses documentos”, afirmou Alexandre Lyra, auditor fiscal do trabalho.

O ano de 2021 foi o segundo maior número de resgates, com 1.937 pessoas retiradas de trabalho análogo à escravidão, desde 2013, que atingiu 2.808 trabalhadores resgatados.

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Thiago Gurjão, procurador do Trabalho e integrante do Núcleo Regional da Coordenadoria Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo (Conaete) relata quais as sanções que o empregador sofre nos casos de trabalho análogo à escravidão. “Aquele que explora o trabalho escravo terá que pagar, primeiro, todos os direitos devidos àquele trabalhador que foram sonegados. Essa submissão do trabalho escravo acaba sendo um meio de enriquecimento ilícito. Ele também terá que pagar indenizações por dano moral e, evidentemente, responder pelo crime previsto em lei do artigo 149 do Código Penal. Ele pode gerar prisão de dois a oito anos”, explica.

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