Evento sobre equidade étnico-racial na educação básica reuniu poder público e sociedade civil

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O evento “Equidade Étnico-Racial na Educação Básica”, realizado pela Todos Pela Educação e a Mahin Consultoria Antirracista, reuniu agentes políticos, especialistas, representantes de secretarias estaduais país afora, e mais de 40 organizações sociais para debater a importância de integrar o antirracismo como parte fundamental da educação brasileira.

O encontro que aconteceu em Brasília nos últimos dias 27 e 28 de junho, teve o objetivo de consolidar um compromisso coletivo com essa luta, fazendo uma ponte entre o poder público e a sociedade civil, para ir além do debate, e fazer com que a equidade étnico-racial na educação básica faça parte das agendas educacionais, na prática.

Evento aconteceu em Brasília, com palestras e debates sobre o tema /Foto: Divulgação – Todos pela Educação

No primeiro dia do evento, a primeira mesa chamada “Educação para as Relações Étnico-Raciais: a luta por políticas públicas educacionais que cheguem na escola”, contou com a participação da professora Dra. Pretronilha Beatriz Gonçalves e Silva falando sobre o que significa pautar a questão racial na educação. 

“O que é mais importante não é conhecer a história e cultura dos africanos e de seus descendentes, é de, conhecendo a história e cultura, também dos povos indígenas profundamente, é que faz com que se comece a pensar em um projeto de de nação em que todas as pessoas sejam respeitadas em suas particularidades”, disse a especialista.

A professora emérita e pesquisadora em educação para as relações étnico-raciais (ERER) da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) também explicou sobre o que se trata o tema do evento, e sua aplicabilidade na agenda educacional. “A Educação para as Relações Etnico-Raciais não é um conteúdo, mas sim um projeto de sociedade”.

No mesmo painel a doutora em História e gestora escolar, Ana Paula Cruz falou sobre como é desenvolvido a educação nas escolas na comunidade quilombola, como a que frequentou no Recôncavo da Bahia. “As escolas quilombolas valorizam a ancestralidade, dialogam com a comunidade e com as potencialidades desses sujeitos. É uma escola que permite o conhecimento do outro, de si, fortelecendo as identidades, a partir da construção de um currículo antirracista”. 

A especialista falou da importância do povo se apropriar daquele espaço, e falou sobre a sua percepção sobre o futuro. “É do chão da escola quilombola que vai brotar a revolução. É de lá que estão brotando propostas políticas e pedagógicas alternativas”, disse Ana Paula. 

Palestrantes da primeira mesa do evento. Da esquerda para a direita: professora Pretronilha Beatriz; Ana Paula Cruz; Thiago Anacé e Giovanni Harvey, diretor executivo do Fundo Baobá. /Foto: Divulgação – Todos pela Educação

Já na perspectiva indígena, o professor e pesquisador Thiago Anacé abordou as dificuldades de integrar o modelo escolar imposto com a cultura de seu povo, citando por exemplo, como adequar os ensinamentos extensos e aprofundados dentro do horário regular das escolas. 

O professor indígena também abordou as necessidades demandadas pela comunidade indígena no âmbito educacional. “Não queiram nos colocar em um modelo pronto, é preciso pensar e discutir conosco. Não dá pra falar de Educação Escolar Indígena sem o protagonismo indígena. Precisamos trazer os saberes de nossos povos para a discussão”, disse. 

As duas mesas seguintes reuniram representantes da esfera do poder executivo e legislativo, para debater sobre como inserir tais medidas no dia a dia das escolas. 

Na primeira mesa, representantes do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, do Ministério da Igualdade Racial e do Ministério dos Povos Indígenas estiveram presentes, assim como um representante do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável, e os secretários de educação dos estados de São Paulo e do Tocantins. 

Na terceira e última mesa do dia, a deputada federal Dandara Tonantzin (PT) e o deputado federal Rafael Brito (MDB) falaram sobre a importância de para além de criar uma legislação que pense o antirracismo nas escolas, que haja também uma fiscalização para que elas sejam aplicadas, a exemplo da Lei 10.639/03. 

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No segundo dia o debate continuou, com uma mesa que discutiu exatamente as leis já existentes, que além da Lei 10.639/03, também debateu a Lei 11.645 e sobre os desafios de implementá-las. 

As demais mesas abordaram de forma mais aprofundada o ensino nas escolas indígenas e quilombolas, e as outras, incluíram os representantes da área da educação do Rio Grande do Sul, do Pará, do Espírito Santo, do Ceará, e de Goiás, para discutir a aplicação das demandas debatidas durante o evento. 

Além das apresentações artísticas que marcaram a integração da educação com a cultura, o evento também fez referência ao documento “Equidade étnico-racial: recomendações de políticas de equidade étnico-racial para os governos federal e estaduais” lançado pelo Todos Pela Educação com a coordenação técnica da Mahin Consultoria Antirracista, para auxiliar as pautas raciais a avançarem na educação. 

Bárbara Souza

Bárbara Souza

Formada em Jornalismo em 2021, atualmente trabalha como Editora no jornal Notícia Preta, onde começou como colaboradora voluntária em 2022. Carioca da gema, criada no interior do Rio, acredita em uma comunicação acessível e antirracista.

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