“A estética do jovem negro ainda é lida a partir do estigma, não da potência”, diz consultora
“A estética do jovem negro ainda é lida a partir do estigma, não da potência”, diz consultora
Estética negra movimenta mercado, mas segue estigmatizada - Foto: Reprodução
A estética negra movimenta o mercado, pauta tendências globais e ocupa capas de revistas, mas continua sendo frequentemente lida a partir da suspeição e da criminalização. Uma publicação do Instituto DataRaça, em parceria com o Instituto Akatu, revela que um em cada três negros no Brasil afirma já ter sofrido discriminação racial em espaços de consumo e convivência. As ocorrências são mais frequentes em lojas de vestuário (24,5%), shoppings (17%), supermercados (16,8%) e até salões de beleza (1,8%), ambientes diretamente ligados à construção da imagem social.
O dado contrasta com o peso econômico desse público: o consumo da população negra movimenta cerca de R$ 1,9 trilhão por ano no Brasil, embora 24,6% afirmem já ter deixado de comprar em estabelecimentos percebidos como racistas.
Para a consultora de imagem identitária Cáren Cruz, investida da 9ª edição do Shark Tank Brasil, o preconceito estético direcionado ao jovem negro tem raízes históricas profundas.
“A estética do jovem negro ainda é lida de forma preconceituosa porque a sociedade insiste em enxergar o corpo negro a partir do estigma, e não da potência. A superação desse quadro exige letramento racial”, afirma.
Estética negra movimenta mercado, mas segue estigmatizada – Foto: Reprodução
Segundo Cáren, roupas, cabelos e estilos funcionam como linguagem social.
“Esses recursos deixam de ser acessórios e passam a ser discurso; um texto visual que denuncia desigualdades, questiona estigmas e reafirma identidades”, explica.
Esse paradoxo ganhou repercussão internacional em junho deste ano, quando o rapper Oruam foi capa da revista britânica Dazed, apresentado como representante do Brasil contemporâneo. O marco veio acompanhado de controvérsia: o artista denunciou “racismo escancarado” após a grife Osklen supostamente apagar imagens de um ensaio em que ele vestia peças da marca. O episódio reacendeu o debate sobre quem a sociedade escolhe legitimar como ícone cultural e quem segue sendo tratado como ameaça, mesmo quando ocupa espaços de prestígio.
Historicamente, o cabelo é um dos principais marcadores dessa disputa. Antes da diáspora africana, cortes e adornos indicavam pertencimento e status; durante a escravidão, a raspagem forçada simbolizou violência e apagamento. Hoje, o uso de cores vibrantes e estilos ousados por artistas negros opera como gesto de afirmação e liberdade estética, ainda assim, frequentemente alvo de estigmatização.
Ao mesmo tempo, a chamada “moda da favela” se consolidou como tendência internacional. Marcas como Rabanne e New Balance já exploraram a estética periférica brasileira em campanhas globais, reconhecendo a periferia como polo criativo, ainda que o debate sobre apropriação cultural e inclusão real dos criadores permaneça em aberto.
Para Cáren, a transformação passa pela autonomia narrativa.
“Quando jovens negros ocupam mídias e publicidade falando de si, a estética antes lida como marginal passa a ser reconhecida como identidade, estilo e protagonismo”, conclui.
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