Empreendedores periféricos de Salvador relatam como estão se planejando para o fim da escala 6×1

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Matéria publicada originalmente pelo Coletivo Entre Becos de Salvador e replicado na íntegra

Enquanto o Congresso discute o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias seguidos e folga apenas um, empreendedores das periferias de Salvador já avaliam os possíveis impactos na rotina, nos custos operacionais e na organização das equipes.

Para Jamille Borges, 34, e Cleisson Carvalho, 34, fundadores do bar e restaurante Oh Pirão Prime, localizado na Estrada das Barreiras, no bairro do Cabula, em Salvador, a discussão sobre a escala de trabalho já começou internamente.

Os empreendedores Cleisson Carvalho e Jamille Borges são donos do bar e restaurante “Oh Pirão Prime”, localizado no bairro Cabula, em Salvador – Bruna Rocha / Entre Becos 2026

“É um assunto que ainda não debatemos com a equipe, mas já conversamos entre nós dois e cogitamos a possibilidade de fechar duas vezes por semana, funcionando de quarta a domingo. Ainda enfrentamos um mercado econômico muito enxuto, o que pode gerar prejuízos”, explicou Cleisson.

O projeto tramita por meio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), de autoria da deputada federal Erika Hilton, e está sob relatoria do deputado Paulo Azi (União Brasil-BA). A proposta avançou para análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados no início de 2026. O objetivo é estabelecer uma jornada máxima de 36 horas semanais, sem redução salarial, substituindo gradualmente o modelo tradicional de seis dias de trabalho para um de descanso.

Apesar das preocupações com as finanças, os donos do restaurante reconhecem que a medida também envolve a qualidade de vida dos trabalhadores. Atualmente, o estabelecimento tenta manter uma escala considerada mais flexível.

“Na segunda-feira, a gente funciona só no período da tarde. Na terça-feira, também são apenas quatro horas de funcionamento. Então, mesmo sendo uma escala 6×1, a gente tenta ajustar os horários. Eu sei que muitas pessoas querem ter mais tempo livre, ter folga na semana e um horário mais regulado, sem precisar trabalhar o dia todo por turno”, diz Cleisson, consultor de gestão.

Para a profissional do marketing Jamille, os efeitos podem ir além da questão econômica, atingindo diferentes partes da cadeia econômica. “Não é só no faturamento. Isso começa a impactar também outros setores, como fornecedores e até os próprios clientes. Quando a gente fecha, por exemplo, os clientes entram em contato perguntando se vamos abrir”, relata.

No bairro de Águas Claras, a empresária Janaina Rêgo, proprietária da academia Elite Fitness, fisioterapeuta e educadora física, acompanha a discussão e avalia os possíveis impactos da medida em seu ramo de atuação.

Atualmente, com uma equipe que varia entre cinco e nove funcionários, o ‘“Oh Pirão Prime” funciona todos os dias da semana e conta com um cardápio focado em comidas regionais — Bruna Rocha / Entre Becos, 2026.

Segundo ela, a rotina do empreendimento exige organização constante da equipe para atender diferentes tipos de demanda. “Temos uma clínica e uma academia, então a rotina é bastante dinâmica. Trabalhamos com atendimentos agendados, uma demanda que varia ao longo da semana e uma equipe que envolve recepção, administrativo e profissionais da saúde e do condicionamento físico. Hoje utilizamos a escala 6×1, principalmente nas funções de apoio, para manter o funcionamento regular tanto da academia quanto da clínica”, explica.

Janaina afirma que, caso haja mudança na legislação, será necessário reorganizar a estrutura de funcionamento do negócio.

“Se houver alteração na lei, vamos precisar reorganizar os horários com bastante planejamento. Pode ser necessário ajustar os turnos ou até avaliar a ampliação da equipe para garantir que o atendimento continue fluindo sem impactar pacientes e clientes”, pontua.

Apesar dos desafios operacionais, a empresária reconhece que a discussão sobre a jornada também envolve a qualidade de vida dos trabalhadores.

“Sabemos que esse debate também passa pela qualidade de vida dos colaboradores, o que é fundamental em qualquer área, especialmente na saúde, onde trabalhamos diretamente com o cuidado das pessoas. Esse cuidado precisa começar dentro da própria empresa”, afirma.

Para ela, o ponto central da discussão está na previsibilidade e no tempo de adaptação para os empreendedores. “O mais importante seria termos previsibilidade e um período de transição para que a empresa consiga se estruturar financeira e operacionalmente, evitando impactos negativos tanto na receita quanto na relação com os colaboradores”, conclui.

Para os empreendedores, o fim da escala 6×1 pode representar mais qualidade de vida para os funcionários, mas também um efeito em cadeia na organização do trabalho e na rotina do negócio – Bruna Rocha/ Entre Becos

“É um assunto que ainda não debatemos com a equipe, mas já conversamos entre nós dois e cogitamos a possibilidade de fechar duas vezes por semana, funcionando de quarta a domingo. Ainda enfrentamos um mercado econômico muito enxuto, o que pode gerar prejuízos”, explicou Cleisson.

Leia também: Seleções do ICMBio passam a incluir cotas para negros, indígenas e pessoas com deficiência

O projeto tramita por meio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), de autoria da deputada federal Erika Hilton, e está sob relatoria do deputado Paulo Azi (União Brasil-BA). A proposta avançou para análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados no início de 2026. O objetivo é estabelecer uma jornada máxima de 36 horas semanais, sem redução salarial, substituindo gradualmente o modelo tradicional de seis dias de trabalho para um de descanso.

Apesar das preocupações com as finanças, os donos do restaurante reconhecem que a medida também envolve a qualidade de vida dos trabalhadores. Atualmente, o estabelecimento tenta manter uma escala considerada mais flexível.

“Na segunda-feira, a gente funciona só no período da tarde. Na terça-feira, também são apenas quatro horas de funcionamento. Então, mesmo sendo uma escala 6×1, a gente tenta ajustar os horários. Eu sei que muitas pessoas querem ter mais tempo livre, ter folga na semana e um horário mais regulado, sem precisar trabalhar o dia todo por turno”, diz Cleisson, consultor de gestão.

Para a profissional do marketing Jamille, os efeitos podem ir além da questão econômica, atingindo diferentes partes da cadeia econômica. “Não é só no faturamento. Isso começa a impactar também outros setores, como fornecedores e até os próprios clientes. Quando a gente fecha, por exemplo, os clientes entram em contato perguntando se vamos abrir”, relata.

O bar e restaurante Oh Pirão Prime trabalha com pratos e petiscos regionais da culinária baiana. — Bruna Rocha / Entre Becos

No bairro de Águas Claras, a empresária Janaina Rêgo, proprietária da academia Elite Fitness, fisioterapeuta e educadora física, acompanha a discussão e avalia os possíveis impactos da medida em seu ramo de atuação.

Segundo ela, a rotina do empreendimento exige organização constante da equipe para atender diferentes tipos de demanda. “Temos uma clínica e uma academia, então a rotina é bastante dinâmica. Trabalhamos com atendimentos agendados, uma demanda que varia ao longo da semana e uma equipe que envolve recepção, administrativo e profissionais da saúde e do condicionamento físico. Hoje utilizamos a escala 6×1, principalmente nas funções de apoio, para manter o funcionamento regular tanto da academia quanto da clínica”, explica.

Janaina afirma que, caso haja mudança na legislação, será necessário reorganizar a estrutura de funcionamento do negócio.

“Se houver alteração na lei, vamos precisar reorganizar os horários com bastante planejamento. Pode ser necessário ajustar os turnos ou até avaliar a ampliação da equipe para garantir que o atendimento continue fluindo sem impactar pacientes e clientes”, pontua.

Apesar dos desafios operacionais, a empresária reconhece que a discussão sobre a jornada também envolve a qualidade de vida dos trabalhadores.

“Sabemos que esse debate também passa pela qualidade de vida dos colaboradores, o que é fundamental em qualquer área, especialmente na saúde, onde trabalhamos diretamente com o cuidado das pessoas. Esse cuidado precisa começar dentro da própria empresa”, afirma.

Para ela, o ponto central da discussão está na previsibilidade e no tempo de adaptação para os empreendedores. “O mais importante seria termos previsibilidade e um período de transição para que a empresa consiga se estruturar financeira e operacionalmente, evitando impactos negativos tanto na receita quanto na relação com os colaboradores”, conclui.

O governo federal e o Congresso discutem a possibilidade de aprovar a medida até maio de 2026. O texto também prevê um período de transição gradual de quatro anos, para que empresas e instituições se adaptem ao novo formato de jornada, que pode incluir modelos como 5×2 ou 4×3, garantindo ao menos dois dias de folga semanais aos trabalhadores.

MAIS PRODUTIVIDADE E OPORTUNIDADES?

Especialistas apontam que mudanças na jornada de trabalho também podem gerar efeitos na economia local. Um levantamento da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho) da Universidade Estadual de Campinas, aponta que a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas pode gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil e elevar em cerca de 4% a produtividade do país.

Os dados fazem parte do Dossiê 6×1, documento elaborado por 63 pesquisadores e especialistas que reúne estudos sobre os impactos econômicos e sociais da medida. O levantamento, com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), também indica que cerca de 21 milhões de trabalhadores brasileiros cumprem jornadas superiores às 44 horas previstas na legislação e que 76,3% das pessoas ocupadas trabalham mais de 40 horas semanais.

A pesquisa ainda destaca os impactos da sobrecarga de trabalho na saúde dos profissionais. Somente em 2024, o país registrou cerca de 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho. Segundo o estudo, a redução da jornada poderia beneficiar até 76 milhões de trabalhadores, dependendo do modelo de escala adotado.

Com recorte para a economia baiana e para os empreendimentos periféricos, o economista, professor e presidente do Corecon-BA (Conselho Regional de Economia da Bahia), Edval Landulfo, avalia que a redução da jornada de trabalho pode estimular a chamada economia de proximidade nas periferias de Salvador.

Segundo ele, a mudança na escala tende a gerar efeitos em cadeia nas comunidades, onde as pessoas também vivem, e não apenas trabalham, impactando desde a saúde mental dos trabalhadores até o aumento do consumo em pequenos comércios locais, como mercadinhos e outros serviços de bairro.

“Nesse contexto, há um aumento do consumo local. Quando o trabalhador ou trabalhadora passa a ter dois dias de folga em vez de apenas um, seu comportamento de consumo muda. Com mais tempo livre, o lazer tende a ocorrer mais dentro da própria comunidade. Esse morador passa a consumir com maior frequência nos estabelecimentos do bairro, como barbearias, salões de beleza, educação, lanchonetes e bares. Isso é benéfico porque movimenta toda uma cadeia econômica local”, aponta o especialista.

O economista também alerta para o risco de repasse de custos aos preços finais para o consumidor e destaca que a transição exige, por parte do governo, a implantação de medidas de apoio a micro e pequenos negócios, como desonerações e acesso a crédito mais barato, para evitar impactos no emprego.

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[62] Fim da 6×1 nas periferias
Entre Becos
mar 12

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Empreendedores periféricos de Salvador relatam como estão se planejando para o fim da escala 6×1
Com a discussão sobre novas jornadas de trabalho no país, pequenos empresários das periferias da capital baiana avaliam impactos e adaptam estratégias para manter os negócios funcionando

Cleisson Carvalho e Jamille Borges são donos do bar e restaurante “Oh Pirão Prime”, localizado no bairro Cabula, em Salvador – Bruna Rocha / Entre Becos 2026
Enquanto o Congresso discute o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias seguidos e folga apenas um, empreendedores das periferias de Salvador já avaliam os possíveis impactos na rotina, nos custos operacionais e na organização das equipes.

Para Jamille Borges, 34, e Cleisson Carvalho, 34, fundadores do bar e restaurante Oh Pirão Prime, localizado na Estrada das Barreiras, no bairro do Cabula, em Salvador, a discussão sobre a escala de trabalho já começou internamente.

“É um assunto que ainda não debatemos com a equipe, mas já conversamos entre nós dois e cogitamos a possibilidade de fechar duas vezes por semana, funcionando de quarta a domingo. Ainda enfrentamos um mercado econômico muito enxuto, o que pode gerar prejuízos”, explicou Cleisson.

O projeto tramita por meio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), de autoria da deputada federal Erika Hilton, e está sob relatoria do deputado Paulo Azi (União Brasil-BA). A proposta avançou para análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados no início de 2026. O objetivo é estabelecer uma jornada máxima de 36 horas semanais, sem redução salarial, substituindo gradualmente o modelo tradicional de seis dias de trabalho para um de descanso.

Apesar das preocupações com as finanças, os donos do restaurante reconhecem que a medida também envolve a qualidade de vida dos trabalhadores. Atualmente, o estabelecimento tenta manter uma escala considerada mais flexível.

“Na segunda-feira, a gente funciona só no período da tarde. Na terça-feira, também são apenas quatro horas de funcionamento. Então, mesmo sendo uma escala 6×1, a gente tenta ajustar os horários. Eu sei que muitas pessoas querem ter mais tempo livre, ter folga na semana e um horário mais regulado, sem precisar trabalhar o dia todo por turno”, diz Cleisson, consultor de gestão.

Atualmente, com uma equipe que varia entre cinco e nove funcionários, o ‘“Oh Pirão Prime” funciona todos os dias da semana e conta com um cardápio focado em comidas regionais — Bruna Rocha / Entre Becos, 2026.
Para a profissional do marketing Jamille, os efeitos podem ir além da questão econômica, atingindo diferentes partes da cadeia econômica. “Não é só no faturamento. Isso começa a impactar também outros setores, como fornecedores e até os próprios clientes. Quando a gente fecha, por exemplo, os clientes entram em contato perguntando se vamos abrir”, relata.

No bairro de Águas Claras, a empresária Janaina Rêgo, proprietária da academia Elite Fitness, fisioterapeuta e educadora física, acompanha a discussão e avalia os possíveis impactos da medida em seu ramo de atuação.

Segundo ela, a rotina do empreendimento exige organização constante da equipe para atender diferentes tipos de demanda. “Temos uma clínica e uma academia, então a rotina é bastante dinâmica. Trabalhamos com atendimentos agendados, uma demanda que varia ao longo da semana e uma equipe que envolve recepção, administrativo e profissionais da saúde e do condicionamento físico. Hoje utilizamos a escala 6×1, principalmente nas funções de apoio, para manter o funcionamento regular tanto da academia quanto da clínica”, explica.

Subscrito
Janaina afirma que, caso haja mudança na legislação, será necessário reorganizar a estrutura de funcionamento do negócio.

“Se houver alteração na lei, vamos precisar reorganizar os horários com bastante planejamento. Pode ser necessário ajustar os turnos ou até avaliar a ampliação da equipe para garantir que o atendimento continue fluindo sem impactar pacientes e clientes”, pontua.

Apesar dos desafios operacionais, a empresária reconhece que a discussão sobre a jornada também envolve a qualidade de vida dos trabalhadores.

“Sabemos que esse debate também passa pela qualidade de vida dos colaboradores, o que é fundamental em qualquer área, especialmente na saúde, onde trabalhamos diretamente com o cuidado das pessoas. Esse cuidado precisa começar dentro da própria empresa”, afirma.

Para ela, o ponto central da discussão está na previsibilidade e no tempo de adaptação para os empreendedores. “O mais importante seria termos previsibilidade e um período de transição para que a empresa consiga se estruturar financeira e operacionalmente, evitando impactos negativos tanto na receita quanto na relação com os colaboradores”, conclui.

Para os proprietários do Oh Pirão Prime, o fim da escala 6×1 pode representar mais qualidade de vida para os funcionários, mas também um efeito em cadeia na organização do trabalho e na rotina do negócio – Bruna Rocha/ Entre Becos
O governo federal e o Congresso discutem a possibilidade de aprovar a medida até maio de 2026. O texto também prevê um período de transição gradual de quatro anos, para que empresas e instituições se adaptem ao novo formato de jornada, que pode incluir modelos como 5×2 ou 4×3, garantindo ao menos dois dias de folga semanais aos trabalhadores.

MAIS PRODUTIVIDADE E OPORTUNIDADES?

Especialistas apontam que mudanças na jornada de trabalho também podem gerar efeitos na economia local.

Um levantamento da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Cesit (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho) da Universidade Estadual de Campinas, aponta que a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas pode gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil e elevar em cerca de 4% a produtividade do país.

Os dados fazem parte do Dossiê 6×1, documento elaborado por 63 pesquisadores e especialistas que reúne estudos sobre os impactos econômicos e sociais da medida. O levantamento, com base em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), também indica que cerca de 21 milhões de trabalhadores brasileiros cumprem jornadas superiores às 44 horas previstas na legislação e que 76,3% das pessoas ocupadas trabalham mais de 40 horas semanais.

A pesquisa ainda destaca os impactos da sobrecarga de trabalho na saúde dos profissionais. Somente em 2024, o país registrou cerca de 500 mil afastamentos por doenças psicossociais relacionadas ao trabalho. Segundo o estudo, a redução da jornada poderia beneficiar até 76 milhões de trabalhadores, dependendo do modelo de escala adotado.

Com recorte para a economia baiana e para os empreendimentos periféricos, o economista, professor e presidente do Corecon-BA (Conselho Regional de Economia da Bahia), Edval Landulfo, avalia que a redução da jornada de trabalho pode estimular a chamada economia de proximidade nas periferias de Salvador.

Segundo ele, a mudança na escala tende a gerar efeitos em cadeia nas comunidades, onde as pessoas também vivem, e não apenas trabalham, impactando desde a saúde mental dos trabalhadores até o aumento do consumo em pequenos comércios locais, como mercadinhos e outros serviços de bairro.

O bar e restaurante Oh Pirão Prime trabalha com pratos e petiscos regionais da culinária baiana. — Bruna Rocha / Entre Becos
“Nesse contexto, há um aumento do consumo local. Quando o trabalhador ou trabalhadora passa a ter dois dias de folga em vez de apenas um, seu comportamento de consumo muda. Com mais tempo livre, o lazer tende a ocorrer mais dentro da própria comunidade. Esse morador passa a consumir com maior frequência nos estabelecimentos do bairro, como barbearias, salões de beleza, educação, lanchonetes e bares. Isso é benéfico porque movimenta toda uma cadeia econômica local”, aponta o especialista.

O economista também alerta para o risco de repasse de custos aos preços finais para o consumidor e destaca que a transição exige, por parte do governo, a implantação de medidas de apoio a micro e pequenos negócios, como desonerações e acesso a crédito mais barato, para evitar impactos no emprego.

Reportagem de Bruna Rocha; Edição de Rosana Silva e Cleber Arruda; Fotografias de Bruna Rocha

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