Em Pernambuco, 19 de cada 20 vítimas de homicídio são negras

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Fernando Frazão/ Agência Brasil

Entre janeiro de 2024 e março de 2026, Pernambuco registrou 86.277 mortes violentas, com forte concentração entre a população negra. Dados da Secretaria de Defesa Social mostram que, a cada 20 vítimas de homicídio no estado, 19 são pessoas pretas ou pardas, evidenciando a desigualdade racial nos índices de violência.

O levantamento aponta que a maioria das vítimas era do sexo masculino, com mais de 80 mil casos, enquanto 5.812 eram mulheres. Em relação à raça, 80.198 vítimas foram identificadas como pardas, o equivalente a 92,95% do total. Outras 2.086 eram pretas, representando 2,42%. Pessoas brancas somaram 2.641 casos, ou 3,06%. Há ainda 44 vítimas classificadas como amarelas e 1.308 sem informação de raça.

Os dados confirmam que a violência letal no estado atinge de forma desproporcional a população negra, que aparece como maioria absoluta entre os mortos. O cenário também mobiliza familiares de vítimas, especialmente mães que perderam filhos, que cobram respostas e responsabilização diante dos casos.

Dados da Secretaria de Defesa Social mostram que, a cada 20 vítimas de homicídio no estado, 19 são pessoas pretas ou pardas – Fernando Frazão/ Agência Brasil.

Em escala nacional, os números seguem o mesmo padrão. Levantamentos recentes mostram que cerca de 77% das vítimas de homicídio no Brasil são pessoas negras, indicando que a concentração da violência letal nesse grupo não é um fenômeno isolado de um estado, mas uma realidade estrutural no país.

A desigualdade racial também se expressa no sistema prisional. Dados nacionais indicam que aproximadamente 67% da população encarcerada no Brasil é composta por pessoas negras, o que evidencia a sobrerrepresentação desse grupo nas prisões.

A combinação desses dados aponta para um cenário contínuo de violência e seletividade racial. A concentração de mortes e de encarceramento na população negra reforça a permanência de desigualdades históricas e a necessidade de respostas estruturais para enfrentar esse quadro.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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