Entre janeiro de 2024 e março de 2026, Pernambuco registrou 86.277 mortes violentas, com forte concentração entre a população negra. Dados da Secretaria de Defesa Social mostram que, a cada 20 vítimas de homicídio no estado, 19 são pessoas pretas ou pardas, evidenciando a desigualdade racial nos índices de violência.
O levantamento aponta que a maioria das vítimas era do sexo masculino, com mais de 80 mil casos, enquanto 5.812 eram mulheres. Em relação à raça, 80.198 vítimas foram identificadas como pardas, o equivalente a 92,95% do total. Outras 2.086 eram pretas, representando 2,42%. Pessoas brancas somaram 2.641 casos, ou 3,06%. Há ainda 44 vítimas classificadas como amarelas e 1.308 sem informação de raça.
Os dados confirmam que a violência letal no estado atinge de forma desproporcional a população negra, que aparece como maioria absoluta entre os mortos. O cenário também mobiliza familiares de vítimas, especialmente mães que perderam filhos, que cobram respostas e responsabilização diante dos casos.

Em escala nacional, os números seguem o mesmo padrão. Levantamentos recentes mostram que cerca de 77% das vítimas de homicídio no Brasil são pessoas negras, indicando que a concentração da violência letal nesse grupo não é um fenômeno isolado de um estado, mas uma realidade estrutural no país.
A desigualdade racial também se expressa no sistema prisional. Dados nacionais indicam que aproximadamente 67% da população encarcerada no Brasil é composta por pessoas negras, o que evidencia a sobrerrepresentação desse grupo nas prisões.
A combinação desses dados aponta para um cenário contínuo de violência e seletividade racial. A concentração de mortes e de encarceramento na população negra reforça a permanência de desigualdades históricas e a necessidade de respostas estruturais para enfrentar esse quadro.
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