Em 10 anos, aumentou a desigualdade entre negros e brancos com Ensino Superior no Rio Grande do Sul. Em 2013, cerca de 10,3% da população branca no Estado tinha curso superior, enquanto entre pessoas negras o índice era de 3,1%. Em 2023, os números avançaram para 17,4% entre brancos e 7,1% entre negros, ampliando a distância para mais de 10 pontos percentuais.
Os dados fazem parte de estudo do Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (Cedra), com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para o Cedra, o cenário indica que a desigualdade racial no acesso ao Ensino Superior segue crescendo, mesmo com políticas afirmativas.

Na pós-graduação, a distância também aparece. Entre 2022 e 2023, a proporção de pessoas negras matriculadas em cursos de mestrado e doutorado caiu de 0,3% para 0,1%. Entre brancos, passou de 0,2% para 0,3%, segundo a Pnad Contínua.
Em entrevista ao portal Zero Hora, Marcelo Tragtenberg, membro do conselho deliberativo do Cedra e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), afirmou que os dados precisam ser compreendidos a partir da estrutura do sistema de Ensino Superior brasileiro.
Segundo ele, “com tantas ações afirmativas importantes, a gente esperaria uma diminuição da distância entre negros e brancos. Mas essa distância aumentou”. Ele explica que o acesso desigual também está relacionado ao fato de que “as universidades públicas concentram apenas 20% das matrículas”.
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Também em entrevista ao Zero Hora, a professora Georgina Lima, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), avaliou que, embora haja avanços, a persistência das disparidades ainda preocupa.
“Os dados precisam ser articulados com outras variáveis. Mas eles nos dão alguns indicativos”, afirmou. Para ela, “em todos os resultados, vemos um aumento da população não negra no Ensino Superior, assim como também existe uma presença maior da população negra. Mas, olhando numericamente, as assimetrias persistem”.
Georgina destacou ainda que as políticas afirmativas precisam ser permanentemente avaliadas e fortalecidas. “As políticas de ações afirmativas são o caminho possível. Mas temos que observar como elas se efetivam”, disse.










