Polícia apura denúncia de que irmãos desaparecidos no Maranhão foram vistos em São Paulo

Crianças quilombolas desaparecidas

Crianças quilombolas desaparecidas: polícia investiga pista - Foto: Divulgação

A Polícia Civil de São Paulo investiga uma denúncia de que Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, crianças quilombolas desaparecidas no Maranhão, teriam sido vistos em um hotel no bairro da República, no centro da capital paulista. A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), que notificou oficialmente as autoridades maranhenses sobre o possível paradeiro dos irmãos.

As crianças desapareceram no dia 4 de janeiro, após saírem para brincar no território quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, interior do Maranhão. Desde então, o caso mobiliza uma das maiores operações de busca recentes no estado, envolvendo Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Marinha, Exército e voluntários da própria comunidade.

Crianças quilombolas desaparecidas
Crianças quilombolas desaparecidas: polícia investiga pista – Foto: Divulgação

O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, afirmou que todas as hipóteses seguem em apuração. “Nenhuma linha de investigação foi descartada até o momento. A principal hipótese considera que as crianças possam ter se perdido na mata, mas todas as possibilidades continuam sendo investigadas”, declarou em coletiva de imprensa.

Três dias após o desaparecimento, um primo das crianças, Anderson Kauã, de 8 anos, foi encontrado com vida em uma área de mata no povoado Santa Rosa, a cerca de quatro quilômetros do local onde os irmãos foram vistos pela última vez. O menino foi localizado por produtores rurais que trafegavam pela região em uma carroça a caminho do trabalho.

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Após receber atendimento médico, Anderson passou a colaborar diretamente com as buscas. Ele indicou às autoridades o caminho percorrido com Ágatha e Allan até uma cabana abandonada conhecida como “casa caída”, próxima às margens do Rio Mearim. A partir dessas informações, novas frentes de busca foram abertas.

Durante mais de duas semanas, mais de mil agentes estiveram espalhados pela mata fechada da região. Segundo o governo estadual, as buscas continuam, mas agora em formato de força-tarefa mais focada na investigação policial, baseada em indícios concretos.

“Não haverá suspensão dos trabalhos. As ações passam a ser direcionadas a partir dos elementos investigativos já reunidos”, reforçou Maurício Martins.

A Marinha do Brasil também atuou na operação, investigando a possibilidade de as crianças terem caído no rio que corta a comunidade. Após varredura fluvial e subaquática, a hipótese foi considerada improvável.

“Na parte fluvial e subaquática, dentro da extensão analisada e com o equipamento empregado, esgotamos a possibilidade de as crianças estarem neste trecho do rio, que era a maior suspeita inicial. No entanto, qualquer fato novo ou evidência consistente será imediatamente incorporado às buscas”, afirmou o capitão dos Portos do Maranhão, Augusto Simões.

A denúncia de que Ágatha e Allan teriam sido vistos em São Paulo abriu uma nova linha investigativa, agora interestadual. A SSP-SP informou que equipes da Polícia Civil seguem verificando registros de hospedagem e imagens de câmeras de segurança na região central da capital.

O desaparecimento das crianças mobilizou também a comunidade quilombola de São Sebastião dos Pretos, que acompanha diariamente os desdobramentos do caso. Lideranças locais cobram agilidade e atenção permanente das autoridades, destacando a vulnerabilidade histórica dos territórios quilombolas no acesso a políticas públicas de segurança e proteção social.

Enquanto as investigações seguem, familiares aguardam respostas. O caso permanece em aberto e sob acompanhamento das forças de segurança dos dois estados.

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