As corridas de rua no Brasil cresceram 85% em 2025, segundo levantamento da Associação Brasileira de Organizadores de Corridas de Rua e Esportes Outdoor (ABRACEO). O aumento no número de provas acompanha a expansão da modalidade no país e revela mudanças no perfil dos participantes, com destaque para a presença feminina.
De acordo com os dados, as mulheres passaram a representar 50% dos corredores em 2025, um avanço significativo em relação ao ano anterior, quando eram 42%. O crescimento indica uma maior ocupação dos espaços públicos por mulheres e aponta para a ampliação do acesso ao esporte.
São Paulo lidera o ranking nacional, com 1.311 corridas realizadas ao longo do ano, consolidando-se como o principal polo da modalidade no país. O volume de eventos reflete não apenas o aumento de praticantes, mas também o fortalecimento da cultura da corrida nas grandes cidades.

Mais do que uma atividade física, a corrida de rua tem se consolidado como um espaço de convivência e sociabilidade. Grupos de corrida e assessorias esportivas têm impulsionado esse movimento, criando redes de apoio entre iniciantes e atletas mais experientes.
Para o treinador Ademir Paulino, o crescimento atual marca um novo ciclo de expansão da modalidade no Brasil. “Como treinador, vejo pela segunda vez uma grande expansão da corrida. A primeira foi em 2001 e a segunda agora, com números expressivos em 2025. Acredito que o período pós-pandemia trouxe uma nova consciência sobre a importância da saúde física”, afirma.
Ele também destaca o papel do esporte como espaço coletivo. “Além dos benefícios, a corrida também se tornou uma forma de sociabilidade, principalmente para nós, brasileiros, que gostamos de estar em grupo”, diz.
Sobre o aumento da participação feminina, o treinador aponta que o movimento também reflete mudanças sociais mais amplas. “Hoje vemos uma participação em destaque do público feminino, inclusive com a presença de mulheres da classe C. Isso mostra uma inclusão tanto de gênero quanto de classe social”, explica.
LEIA TAMBÉM: Saiba quem foi Adhemar Ferreira da Silva, a grande lenda do esporte olímpico brasileiro
Apesar do avanço, ele ressalta que ainda há desafios, especialmente relacionados à segurança. “Muitas mulheres preferem correr em parques por questão de segurança, para estarem em espaços com mais pessoas”, afirma.
Para especialistas, o crescimento da corrida de rua no Brasil acompanha uma tendência global de valorização de práticas esportivas mais acessíveis. A modalidade exige baixo investimento inicial e pode ser praticada em diferentes espaços, o que contribui para sua popularização.
A expectativa é de que o número de provas e participantes continue aumentando nos próximos anos, impulsionado pela busca por saúde, bem-estar e formas de lazer coletivo.










