O álbum “Cartola”, lançado originalmente em 1976 e considerado um dos marcos da música popular brasileira, foi relançado em vinil pela Universal Music Brasil dentro do projeto “Safra 76”. A iniciativa celebra discos lançados naquele ano que permanecem relevantes para a história da música brasileira.
Conhecido também como “Cartola II”, para diferenciá-lo do primeiro disco solo do compositor, lançado em 1974, o trabalho reúne algumas das canções mais importantes do repertório do sambista, como “O mundo é um moinho” e “As rosas não falam”.
A capa do álbum original traz Cartola ao lado de Dona Zica, sua companheira, enquadrados por uma janela e observando a rua. A imagem se tornou um símbolo da fase de reconhecimento do artista, que já havia enfrentado períodos de invisibilidade antes de alcançar consagração nacional.

O disco foi lançado pela gravadora Marcus Pereira, selo que tinha como projeto registrar obras de grande valor cultural em um mercado que nem sempre priorizava esse tipo de repertório. Atualmente, o catálogo da gravadora integra o acervo da Universal Music Group.
Produzido por Juarez Barroso, o álbum consolidou em vinil um conjunto de canções que se tornariam centrais na obra de Cartola e ajudariam a definir sua posição no cânone da música brasileira.
O trabalho reúne músicos importantes da tradição do samba e do choro. Entre eles estão Dino 7 Cordas, responsável por linhas de violão que se tornaram referência na música brasileira, Meira no violão, Canhoto no cavaquinho e Altamiro Carrilho na flauta. O disco também conta com participações de músicos como Nelsinho no trombone e Airton Barbosa no fagote.
Essa formação remete ao chamado “conjunto regional”, caracterizado pela combinação de instrumentos que transitam entre o samba, o choro, o samba-canção e a seresta. A voz de Cartola, marcada por interpretação contida e timbre grave, conduz as canções com a experiência de quem transformou a própria trajetória em matéria poética.
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“O mundo é um moinho”, que abre o álbum, tornou-se uma das composições mais conhecidas do artista. A canção apresenta um conselho sobre desilusões da vida, acompanhado por uma melodia marcada pela flauta de Altamiro Carrilho.
Outra faixa emblemática do disco é “As rosas não falam”, considerada uma das declarações de amor mais conhecidas da música brasileira. A composição se tornou uma das obras mais celebradas do repertório de Cartola.
O álbum também inclui músicas como “Sala de recepção”, que retrata o cotidiano do Morro da Mangueira, “Preciso me encontrar”, de Candeia, e “Peito vazio”, parceria com Elton Medeiros.
Cinco décadas após o lançamento original, o relançamento em vinil recupera a experiência de escuta do formato físico, com a sequência das faixas organizada nos dois lados do disco.
O projeto “Safra 76”, que segue até o final de 2026, pretende revisitar obras lançadas naquele ano que continuam influenciando gerações de músicos e ouvintes.
Considerado um dos maiores compositores da história do samba, Cartola deixou um legado que atravessa décadas e permanece como referência central da música brasileira.
Repertório álbum “Cartola” (1976):
Lado A:
1 – “O Mundo é um Moinho” (Cartola)
2 – “Minha” (Cartola)
3 – “Sala de Recepção” (Cartola)
4 – “Não Posso Viver Sem Ela” (Cartola / Alcebiades Barcellos)
5 – “Preciso Me Encontrar” (Candeia)
6 – “Peito Vazio” (Cartola / Elton Medeiros)
Lado B:
1 – “Aconteceu” (Cartola)
2 – “As Rosas Não Falam” (Cartola)
3 – “Sei Chorar” (Cartola)
4 – “Ensaboa” (Cartola)
5 – “Meu Drama (Senhora Tentação)” (J. Ilarindo / Silas de Oliveira)
6 – “Cordas de Aço” (Cartola)








