O Carnaval de 2026 promete ser uma grande celebração da cultura, história e ancestralidade negra. Ao menos 13 escolas de samba dos Grupos Especiais do Rio de Janeiro e de São Paulo já definiram enredos que homenageiam personalidades, divindades, narrativas e resistência do povo negro, prometendo um espetáculo de força, beleza e consciência nos sambódromos.
No Rio de Janeiro, a Marquês de Sapucaí será palco de seis narrativas negras. A Portela mergulhará no “O Mistério do Príncipe do Bará”. A Estação Primeira de Mangueira celebrará a sabedoria ancestral com “Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra”. A Beija‑Flor de Nilópolis levará para a avenida a festa e a fé do “Bembé do Mercado”.
A Unidos da Tijuca vai dar voz e vez à literatura com o enredo sobre Carolina Maria de Jesus. A Paraíso do Tuiuti embarcará na espiritualidade com “Lonã Ifá Lukumi”. E a Unidos de Vila Isabel promete um sonho africano com “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África”.
Em São Paulo, o Anhembi também se prepara para um desfile temático, com sete escolas apostando em enredos afrocentrados. A Barroca Zona Sul seguirá a linha de sucesso do Carnaval 2025, que homenageou Iansã, e agora elegerá a força e a doçura da orixá Oxum, sob o título “Oro Mi Maió Oxum”.
A Mocidade Unida da Mooca (MUM), que estreia no Grupo Especial, fará uma escolha emblemática: homenageará o Instituto Geledés e a força da mulher negra com o enredo “GÈLÈDÉS – Agbara Obinrin”. Já o Império de Casa Verde terá como protagonistas as corajosas escravas de ganho, mulheres que lutaram pela própria liberdade através do comércio, em um desfile intitulado “Império dos Balangandãs: Joias Negras Afro-Brasileiras”.

A tradicional Mocidade Alegre contará a trajetória inspiradora da atriz Léa Garcia, falecida em 2023, no enredo “Malunga Léa – A Rapsódia de uma Deusa Negra”. Por fim, a Camisa Verde e Branco irá “Abrir Caminhos” ao abordar as energias e a importância do orixá Exu, em um enredo desenvolvido por uma equipe que traz experiência carioca, incluindo o carnavalesco Guilherme Estevão.
A convergência de tantas escolas para temas que valorizam a história e os protagonistas negros sinaliza um momento significativo no Carnaval, transformando a avenida em um poderoso espaço de representatividade, memória e celebração das raízes que formam a identidade brasileira. O ano de 2026 promete, assim, um desfile não só de luxo e coreografia, mas também de profundidade e reconhecimento histórico.
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