Cidade da Bahia pagará R$ 100 por mês para alunos da EJA frequentarem aulas

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Estudante do EJA Crédito: Prefeitura de Alagoinhas

A Prefeitura de Alagoinhas, no interior da Bahia, anunciou um programa que vai pagar R$ 100 mensais para estudantes matriculados na Educação de Jovens e Adultos (EJA) que mantiverem frequência nas aulas. A iniciativa faz parte de uma estratégia do município para ampliar matrículas e incentivar o retorno de pessoas que interromperam os estudos.

O incentivo financeiro será pago por meio do programa Bolsa Presença, criado pela Secretaria Municipal da Educação (Seduc). Segundo a gestão municipal, o objetivo é estimular não apenas o ingresso, mas também a permanência de jovens e adultos nas salas de aula.

A proposta busca atender principalmente pessoas que deixaram a escola por motivos econômicos, dificuldades de acesso ou necessidade de trabalhar. O público prioritário inclui jovens a partir de 15 anos que não concluíram o ensino fundamental, além de trabalhadores, mulheres responsáveis pelo sustento da família, pessoas em situação de vulnerabilidade social e idosos que desejam retomar os estudos.

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Estudante do EJA Crédito: Prefeitura de Alagoinhas

Atualmente, a rede municipal de ensino de Alagoinhas possui turmas da Educação de Jovens e Adultos distribuídas em diferentes regiões da cidade. Para participar do programa, os interessados devem procurar a unidade escolar mais próxima de casa e realizar a matrícula.

A Educação de Jovens e Adultos é uma modalidade de ensino voltada para pessoas que não conseguiram concluir a educação básica na idade considerada regular. O modelo permite que estudantes retomem os estudos a partir da etapa em que pararam, com currículos adaptados e, em muitos casos, horários mais flexíveis para quem trabalha.

Além de garantir o direito à educação, especialistas apontam que a conclusão da escolaridade básica está diretamente relacionada a melhores oportunidades de renda e inserção no mercado de trabalho. Estudos indicam que jovens adultos que concluem o ensino médio podem ter aumento de até 10% na renda ao longo da vida profissional.

Apesar da importância da modalidade, o número de matrículas na EJA tem diminuído no Brasil nos últimos anos. Dados da pesquisa Juventudes Fora da Escola mostram que o país passou de cerca de 3,5 milhões de estudantes matriculados em 2018 para aproximadamente 2,7 milhões em 2022, uma redução de cerca de 22%.

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O perfil dos estudantes da EJA também revela desafios históricos de desigualdade social. A modalidade atende majoritariamente trabalhadores informais, pessoas desempregadas e populações em situação de vulnerabilidade, com forte presença de estudantes negros e moradores de periferias.

Para tentar reverter a queda nas matrículas, o governo federal lançou em 2024 o Pacto EJA, iniciativa que busca ampliar a oferta da modalidade em parceria com estados e municípios.

Nesse contexto, programas locais de incentivo, como o criado em Alagoinhas, são apontados como estratégias para estimular o retorno de jovens e adultos às salas de aula e garantir o acesso à educação para pessoas que tiveram a trajetória escolar interrompida.

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