Pele negra exige cuidado redobrado contra manchas no outono, alerta especialista

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Estudo da endocrinologista baiana Luciana Oliveira, vencedor do Prêmio Dermatologia + Inclusiva do Grupo L'Oréal, investiga como a testosterona afeta a pele e propõe soluções para combater a acne grave nesse público - Foto: Pexels

A transição entre o verão e o outono tem aumentado os casos de manchas na pele, especialmente entre pessoas negras, grupo que representa a maioria da população em cidades como Salvador. O fenômeno, conhecido por especialistas como aumento de hiperpigmentação, vai além da estética e acende um alerta para a saúde pública.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que 83,2% da população de Salvador se declara preta ou parda. É justamente esse público que tende a sofrer mais com condições como melasma, foliculite e manchas pós-inflamatórias, agravadas por fatores como calor, suor e exposição solar contínua.

Mesmo com a sensação de temperaturas mais amenas, a radiação ultravioleta e a luz visível continuam atuando na pele. Em pessoas com maior concentração de melanina, os melanócitos respondem de forma mais intensa, o que pode provocar manchas persistentes.

Foto: Pexels

Para a médica Danìelà Hermes, especialista em saúde da pele, a falta de informação ainda é um dos principais desafios. “Na transição de estações, as pessoas relaxam na proteção solar, mas o calor continua estimulando a mancha. Existe um mito de que a pele negra não precisa de cuidado, e isso pode trazer consequências”, afirma.

Além do impacto estético, especialistas alertam que a hiperpigmentação pode dificultar o diagnóstico de doenças mais graves. Segundo a Secretaria de Saúde da Bahia, ainda há um número significativo de diagnósticos tardios de doenças de pele na população negra.

Nesses casos, sinais que parecem comuns podem esconder problemas mais sérios. “O que muitas vezes é visto como uma mancha simples pode, na verdade, exigir investigação. Em peles negras, o câncer de pele pode surgir em áreas menos expostas ao sol, como mãos, pés e unhas”, explica a médica.

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Para ajudar na identificação de sinais de alerta, profissionais utilizam o método ABCDE, que observa alterações como assimetria, bordas irregulares, mudança de cor, aumento de tamanho e evolução da lesão ao longo do tempo.

Outro ponto de atenção é o mito de que a pele negra é imune aos danos solares. De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, embora a melanina ofereça alguma proteção, ela não impede o surgimento de manchas nem de doenças. O melasma, por exemplo, afeta entre 15% e 35% das mulheres brasileiras, com maior intensidade em peles mais escuras.

Homens também são afetados, principalmente por manchas causadas por foliculite, condição comum em regiões com calor e umidade elevados.

A prevenção envolve cuidados diários, como o uso de protetor solar com cor, que ajuda a bloquear a luz visível, além de produtos antioxidantes. Procedimentos estéticos também podem ser indicados, desde que adaptados para peles negras, como peelings superficiais, microagulhamento e tecnologias a laser específicas.

Para especialistas, o cuidado com a pele precisa ser visto como parte da saúde, e não apenas como questão estética. “Tratar e prevenir manchas é também prevenir doenças. É um cuidado contínuo, principalmente para a população negra, que historicamente teve menos acesso a informações e atendimento adequado”, conclui Danìelà Hermes.

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