Breno Vieira Faria é conhecido na internet por produzir conteúdos no canal “Café com teu pai”, a denúncia pede abertura de investigação por possíveis irregularidades no exercício do cargo e pela produção de conteúdo misógino nas redes sociais
Conhecido por produzir conteúdos sobre relacionamentos no canal “Café com teu pai”, o policial rodoviário federal e influenciador digital Breno Vieira Faria tornou-se alvo de uma denúncia apresentada ao Ministério Público Federal (MPF) nesta quinta-feira (9). A representação pede a apuração de possíveis irregularidades no exercício do cargo público, além da análise de conteúdos publicados nas redes sociais classificados como misóginos.
Com mais de 2 milhões de seguidores somados em suas plataformas, Breno afirma, na biografia, que ensina mulheres a entender os homens. A denúncia se baseia em apurações da jornalista Jeniffer Mendonça, publicadas pelo portal Núcleo na última terça-feira (7), e sustenta que os vídeos divulgados pelo influenciador apresentam “forte carga de estereotipação e desqualificação de mulheres”.

Entre os exemplos citados estão vídeos em que o influenciador afirma que mulheres com múltiplos parceiros seriam “vagabundas”, enquanto homens na mesma situação seriam valorizados. Outros conteúdos indicam que mulheres bem-sucedidas, acima dos 30 anos e solteiras, seriam “problemáticas”, além de defender que homens perderiam o interesse quando “as mulheres entregam tudo”. Em outra publicação, ele orienta que mulheres adotem comportamentos mais “doces” e evitem confrontos diretos nas relações, sugerindo que, diante de insatisfações, recorram a reforços positivos, comparados por ele à forma como se treinam animais.
Leia também: Senado aprova lei que torna misoginia crime inafiançável e equiparável ao racismo
A denúncia, assinada pela deputada estadual Ediane Maria (PSOL-SP) e pela advogada Natália Szermeta Boulos, também solicita a investigação de possíveis irregularidades no exercício do cargo de policial rodoviário federal. Segundo o documento, Breno mantém “intensa atuação como influenciador digital, com milhões de seguidores e significativa monetização de conteúdo”, incluindo a comercialização de cursos e produtos voltados ao público feminino, com a proposta de orientar mulheres sobre relacionamentos apesar de, conforme a denúncia, não possuir formação técnica ou habilitação profissional compatível.
O texto aponta ainda indícios de que o influenciador exerce atividade empresarial ativa. De acordo com a Lei nº 8.112/1990, é vedado a servidores públicos federais atuar na gerência ou administração de empresas privadas, salvo exceções específicas, o que, segundo as autoras, pode estar sendo descumprido.
Além disso, a representação questiona uma possível violação ao regime de dedicação exclusiva da Polícia Rodoviária Federal, ao citar declarações em que o próprio agente teria afirmado trabalhar apenas alguns dias por semana na corporação.
Procurado pelo Notícia Preta, Breno Vieira Faria não respondeu aos contatos da reportagem. O espaço segue aberto para posicionamento.










