De 1.072 crimes de racismo, 631 pessoas cumprem penas com privação de liberdade no Brasil

Médico é preso por racismo e agressão a funcionários negros em hotel de luxo em Aracaju

Médico é preso por racismo e agressão a funcionários negros em hotel de luxo em Aracaju. Foto: Freepik

Um levantamento com dados do Conselho Nacional de Justiça mostra que o Brasil registra atualmente 1.072 processos por crimes de racismo na fase de execução penal, etapa em que a condenação já foi definida e a pena começa a ser cumprida. Entre esses casos, 631 envolvem privação de liberdade.

Atualmente 309 pessoas cumprem regime fechado, 164 cumprem o regime aberto e 158 semiaberto. Em outras modalidades de cumprimento, 244 pessoas tiveram penas alternativas, 63 estão livramento condicional, 17 com suspensão condicional da pena e 6 com medida de segurança.

Os dados foram levantados pelo g1 a partir de informações do Conselho Nacional de Justiça atualizadas até março de 2026. A maior parte das condenações se concentra em dois dispositivos da Lei nº 7.716 de 1989, que trata dos crimes resultantes de preconceito de raça ou cor.

O artigo 2-A, que define a injúria racial, reúne 803 casos. A legislação descreve o crime como: “Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro, em razão de raça, cor, etnia ou procedência nacional”.

Já o artigo 20 da mesma lei, que trata da prática, indução ou incitação ao preconceito ou discriminação, aparece em 265 processos. O dispositivo estabelece como crime: “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”.

Médico é preso por racismo e agressão a funcionários negros em hotel de luxo em Aracaju
Brasil registra atualmente 1.072 processos por crimes de racismo na fase de execução penal, quando a pena começa a ser cumprida – Foto: Freepik.

Entre os processos com penas alternativas, as medidas mais frequentes são pagamento em dinheiro à vítima ou a entidades públicas e sociais e prestação de serviços à comunidade. Essas sanções correspondem a 48,5% e 43,8% dos casos, respectivamente.

Os registros também indicam um perfil predominante entre os condenados. A maior concentração de execuções penais envolve pessoas entre 35 e 44 anos, com 335 processos. Em seguida aparecem jovens de 18 a 24 anos, com 280 casos.

A distribuição regional mostra maior número de execuções nas regiões Sul e Sudeste. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais registra 150 processos ativos e o Tribunal de Justiça do Paraná soma 131. Também aparecem com números elevados o Tribunal de Justiça de Santa Catarina, com 84 casos, e o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, com 83.

Os dados ainda podem estar subestimados, pois o estado de São Paulo não implementou o Sistema Eletrônico de Execução Unificado, utilizado para consolidar informações sobre cumprimento de penas.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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