África do Sul diz ter sido excluída do G7 após pressão dos EUA; França nega veto

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Tensões com os EUA envolvem disputa sobre Israel, G20 e comércio, enquanto país africano busca manter protagonismo internacional

A África do Sul afirmou que foi retirada da próxima cúpula do G7, prevista para ocorrer em Evian, na França, após pressão dos Estados Unidos. Segundo o governo sul-africano, o convite ao presidente Cyril Ramaphosa teria sido cancelado após sinalizações de Washington de que poderia boicotar o encontro caso o país africano participasse. A França, no entanto, nega qualquer interferência externa na decisão.

De acordo com a Presidência da África do Sul, a comunicação sobre a retirada do convite foi feita semanas antes do evento por meio da embaixada francesa. O porta-voz presidencial Vincent Magwenya declarou que houve pressão contínua por parte dos Estados Unidos, incluindo ameaças de ausência na reunião, o que teria influenciado a decisão francesa.

Tensões com os EUA envolvem disputa sobre Israel, G20 e comércio, enquanto país africano busca manter protagonismo internacional

O G7 é composto por sete das maiores economias industrializadas do mundo e, em algumas edições, convida países considerados estratégicos para discussões ampliadas sobre economia global, clima e segurança. A ausência da África do Sul, maior economia industrial do continente africano, ocorre em um momento de intensificação de disputas geopolíticas e reorganização das alianças internacionais.

Em resposta às declarações sul-africanas, o governo francês afirmou que não houve veto externo e que os critérios de participação são definidos pelo país anfitrião. Paris também destacou que mantém diálogo com Pretória e que as relações bilaterais seguem ativas em áreas como comércio e cooperação internacional.

O episódio ocorre após meses de desgaste nas relações entre a África do Sul e os Estados Unidos. Entre os principais pontos de tensão está a ação movida por Pretória contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça, na qual acusa o país de genocídio em Gaza. Israel é aliado histórico dos Estados Unidos, que se opõem à iniciativa sul-africana.

Outro fator de atrito envolve declarações do ex-presidente Donald Trump, que criticou políticas internas da África do Sul e levantou alegações sobre perseguição a agricultores brancos, contestadas pelo governo sul-africano e por organizações internacionais.

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As divergências também se estendem a fóruns multilaterais. A administração norte-americana já havia sinalizado que poderia não participar de partes da cúpula do G20 de 2026, que será realizada em Joanesburgo, citando preocupações com direitos humanos. O governo sul-africano rejeitou as acusações e afirmou que elas não têm base factual.

Além das tensões políticas, especialistas apontam que instrumentos econômicos têm sido utilizados como forma de pressão, incluindo medidas comerciais e críticas públicas por parte de autoridades norte-americanas. Esse cenário levanta preocupações sobre possíveis impactos em áreas como investimento estrangeiro, comércio e cooperação para o desenvolvimento.

Dados de organismos internacionais indicam que a África do Sul enfrenta desafios econômicos internos, como baixo crescimento e necessidade de atração de capital externo. Nesse contexto, a participação em fóruns globais é vista como estratégica para ampliar sua inserção internacional e defender interesses econômicos e políticos em um cenário global cada vez mais competitivo.

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