A indústria cultural brasileira deve movimentar cerca de R$ 207 bilhões até 2026, segundo projeções da PwC Brasil. Apesar do crescimento do setor, o acesso às oportunidades segue desigual e artistas da periferia continuam enfrentando barreiras para entrar e se manter no mercado.
O levantamento aponta que o segmento de entretenimento e mídia deve crescer a uma taxa média anual de 5,7%, abrangendo áreas como música, publicidade, jogos, artes cênicas e produção editorial.
Mesmo com a expansão econômica, a entrada de novos profissionais ainda esbarra em limitações estruturais, como acesso à formação, redes de distribuição e visibilidade. Esse cenário impacta diretamente artistas periféricos, que permanecem distantes das principais cadeias produtivas da cultura.

Dados do Instituto Data Favela mostram que as favelas movimentam cerca de R$ 300 bilhões por ano. Ainda assim, quando o tema é arte e produção cultural, moradores desses territórios enfrentam dificuldades para transformar talento em profissão.
O multiartista baiano ODILLON, de 34 anos, relata que a profissionalização no setor exige enfrentar obstáculos que vão além da criação artística. “A mudança no meu processo veio após o Boca de Brasa, que trouxe um amadurecimento da visão profissional do trabalho com arte e cultura. Hoje tenho outro olhar para lidar com as questões burocráticas e organizacionais da carreira”, afirma.
Segundo a pesquisa “Sonhos da Favela 2026”, também do Data Favela, 24% dos moradores desses territórios desejam trabalhar com o que gostam, incluindo atividades ligadas à arte e à cultura. No entanto, a concretização desse objetivo ainda depende de oportunidades que nem sempre chegam.
Iniciativas culturais e políticas públicas têm buscado reduzir essa desigualdade. Em Salvador, programas como o Boca de Brasa atuam na formação e no fortalecimento de artistas periféricos, oferecendo suporte técnico e visibilidade.
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“O Boca de Brasa tem como objetivo fortalecer artistas da periferia, ampliando sua visibilidade e reconhecendo que é dali que nascem importantes movimentos culturais”, afirma Fernando Guerreiro, presidente da Fundação Gregório de Mattos.
O programa articula milhares de agentes culturais e já certificou centenas de artistas em processos formativos. A iniciativa também tem contribuído para a inserção de nomes da periferia em circuitos culturais regionais e nacionais.
Apesar dessas ações, especialistas apontam que a desigualdade no acesso ao mercado cultural ainda reflete padrões históricos, que limitam a presença de artistas periféricos em espaços de maior visibilidade e geração de renda.









