A Estação Primeira de Mangueira anunciou que levará para a Marquês de Sapucaí, no Carnaval de 2027, um enredo dedicado à orixá Oyá, divindade das religiões de matriz africana associada aos ventos, às tempestades e às transformações. O tema marca uma escolha inédita na história da escola.
Intitulado “Oyá Por Nós”, o enredo será desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França, em parceria com os enredistas Felipe Tinoco e Sthefanye Paz. A proposta é construir uma narrativa centrada na força simbólica da orixá, reconhecida nas tradições afro-brasileiras como expressão de movimento, coragem e poder feminino.
Segundo a escola, será a primeira vez que a Mangueira apresenta um desfile inteiramente dedicado a um orixá. A abordagem aposta em referências às tradições do Candomblé, com base em narrativas orais, como itans e orikis, que estruturam a transmissão de conhecimento nas religiões de matriz africana.

Em declaração divulgada pela agremiação, o enredo foi apresentado como uma forma de valorizar a herança cultural negra presente no samba e nas escolas. “Pela primeira vez em sua história, em uma narrativa integralmente afrorreligiosa, a Verde e Rosa dedicará todo o seu cortejo para exaltar um orixá”, informou a Mangueira.
A construção do desfile também pretende abordar a relação entre o Orun e o Aiyê, dimensões espiritual e terrena nas tradições afro-brasileiras, além do papel de Oyá como entidade ligada à transformação e à condução de caminhos.
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A escolha do tema acontece às vésperas do centenário da escola, fundada em 1928, e reforça uma linha de enredos que dialogam com identidade, território e ancestralidade.
No Carnaval de 2026, a Mangueira apresentou o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, com foco nos saberes tradicionais da região amazônica e nas expressões culturais negras e indígenas, terminando na sexta colocação.









