Construção prevê queda no emprego e acende alerta para trabalhadores

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O setor da construção civil passou a projetar queda no número de empregos nos próximos meses, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria. A mudança de expectativa acende um alerta para trabalhadores, especialmente em um segmento marcado por alta informalidade e renda média mais baixa.

De acordo com a Sondagem Indústria da Construção, divulgada pela CNI em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção, os indicadores de expectativa para os próximos seis meses recuaram e ficaram abaixo de 50 pontos, linha que separa crescimento de retração.

O índice de expectativa de número de empregados caiu para 49,5 pontos, enquanto o de novos empreendimentos e serviços recuou para 49,7 pontos. Na prática, isso significa que empresários do setor deixaram de prever expansão e passaram a considerar redução nas contratações e nos lançamentos.

Sondagem mostra que indicadores de expectativa caíram abaixo de 50 pontos e revelam pessimismo do setor para os próximos seis meses devido aos juros altos e incerteza externa

O cenário é influenciado principalmente pelos juros elevados e pela incerteza econômica, que encarecem o crédito e dificultam novos investimentos. Segundo a CNI, mesmo com iniciativas recentes voltadas ao setor, os custos seguem pressionados.

Hoje, a construção civil emprega cerca de 2,86 milhões de trabalhadores formais no Brasil, além de um grande contingente de trabalhadores informais. O setor é majoritariamente masculino, com cerca de 92,5% da força de trabalho, e tem registrado envelhecimento da mão de obra, com idade média acima de 40 anos.

A maioria dos trabalhadores se identifica como parda e enfrenta desafios históricos, como baixa escolaridade e dificuldade de acesso à qualificação profissional. Grande parte da mão de obra direta, como pedreiros e ajudantes, possui ensino fundamental incompleto.

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A renda média no setor gira em torno de R$ 2.552, valor inferior ao observado em outros segmentos industriais. Ao mesmo tempo, a informalidade segue sendo uma das principais características da construção civil, deixando trabalhadores mais vulneráveis a períodos de instabilidade.

Mesmo indicadores que ainda apontam crescimento mostram desaceleração. O índice de nível de atividade ficou em 51,3 pontos, próximo da linha de estabilidade, enquanto a intenção de investimentos caiu pelo segundo mês consecutivo, atingindo 42,1 pontos.

A confiança dos empresários também recuou. O índice caiu para 46,5 pontos, indicando pessimismo em relação às condições atuais e às perspectivas futuras do setor.

Para os trabalhadores, esse movimento pode significar menos oportunidades de emprego, maior competição por vagas e aumento da informalidade, especialmente em um contexto de desaceleração econômica.

A construção civil é historicamente um dos setores que mais absorvem mão de obra no país. Por isso, a mudança nas expectativas do setor costuma ter impacto direto sobre o mercado de trabalho, especialmente entre trabalhadores de baixa renda e menor escolaridade.

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