43,3% dos brasileiros não têm coleta de esgoto e falta de investimento mantém desigualdade

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Foto: koosen / Shutterstock.com

Quase metade da população brasileira, 43,3%, ainda vive sem acesso à coleta de esgoto. O dado, divulgado no Ranking do Saneamento 2026, escancara uma realidade que impacta diretamente a saúde, a qualidade de vida e as condições básicas de moradia no país.

O levantamento, elaborado pelo Instituto Trata Brasil, analisou os 100 municípios mais populosos e mostra que apenas três cidades, Curitiba, Santo André e Juiz de Fora, possuem coleta total de esgoto. O cenário revela desigualdades profundas e reforça a relação direta entre investimento público e acesso a serviços essenciais.

Mais da metade dos municípios avaliados investe menos de R$ 100 por habitante em saneamento, valor considerado insuficiente para avançar na universalização do serviço. Entre 2020 e 2024, os 20 municípios mais bem posicionados investiram, em média, R$ 176,17 por pessoa ao ano. Já os 20 piores aplicaram apenas R$ 77,58 por habitante, cerca de 65% abaixo do necessário.

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A falta de investimento tem reflexos diretos no cotidiano da população. Sem coleta e tratamento adequados, o esgoto a céu aberto aumenta o risco de doenças, contamina rios e compromete o abastecimento de água, especialmente em áreas periféricas e regiões mais vulneráveis.

Entre as capitais, o cenário também é desigual. Apenas cinco têm ao menos 99% de cobertura de abastecimento de água, enquanto a média nacional é de 93,67%. No caso da coleta de esgoto, apenas sete capitais superam 90% de atendimento. Já no tratamento, o número se repete: somente sete cidades tratam ao menos 80% do esgoto gerado.

O volume de recursos investidos também é concentrado. Entre 2020 e 2024, as capitais brasileiras somaram cerca de R$ 34 bilhões em investimentos em saneamento. Desse total, São Paulo respondeu por quase 36%, com aproximadamente R$ 12,2 bilhões.

O ranking também evidencia disparidades regionais. Entre os 20 melhores municípios, nove estão em São Paulo e seis no Paraná. Já entre os 20 piores, há forte presença de cidades do Norte e Nordeste, incluindo sete capitais: Maceió, Manaus, São Luís, Belém, Rio Branco, Macapá e Porto Velho.

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Apesar de avanços pontuais, apenas 28 municípios atingiram a universalização do abastecimento de água, conforme as metas do Marco Legal do Saneamento. No tratamento de esgoto, a situação é ainda mais limitada: apenas sete cidades tratam 100% do volume gerado.

Os dados reforçam que o acesso ao saneamento básico no Brasil ainda é desigual e depende diretamente do nível de investimento. Na prática, isso significa que milhões de brasileiros seguem vivendo sem infraestrutura básica, o que impacta não apenas a saúde pública, mas também o desenvolvimento social e econômico do país.

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