Brasil tem 7 hospitais na lista dos melhores do mundo, apenas um é público

cti-hospital-Foto-Divulgacao-Governo-do-Rio-de-Janeiro.webp

Levantamento divulgado pela revista americana Newsweek em parceria com a empresa alemã Statista colocou sete instituições brasileiras entre as 250 melhores do mundo. Desse total, somente uma é da rede pública: o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, que ocupa a 189ª posição. Os outros seis hospitais são privados e ficam em São Paulo, com exceção do Moinhos de Vento, localizado em Porto Alegre e listado em 111º lugar.

A pesquisa World’s Best Hospitals 2026 analisou 2.500 hospitais de 32 países com base em dados de 2025. A seleção das nações considerou critérios como densidade hospitalar, expectativa de vida e disponibilidade de informações confiáveis. O topo do ranking é ocupado por instituições dos Estados Unidos, Canadá e Suécia.

Cada hospital recebeu pontuação a partir de quatro fontes: recomendações de especialistas, métricas de qualidade hospitalar, dados sobre experiência dos pacientes e a implementação de questionários chamados PROMs – ferramentas que medem a percepção do próprio paciente sobre qualidade de vida, bem-estar e sintomas após o tratamento. Nesse quesito, os hospitais ganham faixas de um a cinco, conforme o nível de estruturação do uso desses questionários.

Brasil possui sete hospitais na lista dos melhores, só um é público, seis deles são em São Paulo e um é em Porto Alegre – Foto: governo do Rio.

O Hospital Moinhos de Vento alcançou a pontuação máxima, com cinco faixas. Einstein e Hcor receberam três faixas cada. Sírio-Libanês e Santa Catarina ficaram com duas. O Alemão Oswaldo Cruz teve uma faixa. Já o Hospital das Clínicas da USP não teve sua pontuação divulgada no ranking.

A presença do HC na lista evidencia a capacidade do serviço público brasileiro em entregar assistência de alta complexidade. Mas o dado também expõe um abismo: enquanto instituições privadas de elite figuram entre as melhores do mundo, a maioria da população – especialmente negra e periférica – enfrenta barreiras cotidianas para acessar o sistema público de saúde.

Pesquisas mostram que o racismo estrutural opera como determinante social no adoecimento e na morte da população negra. Estudo do Ipea de 2023 aponta que a população branca de alta renda, majoritariamente concentrada em regiões centrais, tem maior acessibilidade a serviços de alta complexidade, enquanto negros e pobres enfrentam piores condições de vida, menor oferta de serviços e maior rotatividade de profissionais nas periferias .

Dados do Ministério da Saúde indicam que mais de 60% dos casos de tuberculose, HIV e sífilis ocorrem em pessoas negras. A mortalidade materna por hipertensão aumentou 5% entre mulheres pretas entre 2010 e 2020, enquanto caiu em outros grupos . Apenas 3% dos municípios brasileiros adotaram a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra em seus planos de gestão, criada em 2009 justamente para enfrentar essas desigualdades .

Leia mais notícias por aqui: Declaração do Imposto de Renda começa em 23 de março e isenção de R$ 5 mil vale parcialmente

Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

Deixe uma resposta

scroll to top