Programa Pé-de-Meia reduz abandono no ensino médio, indica pesquisa

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O programa federal Pé-de-Meia tem potencial para reduzir a evasão escolar no ensino médio, mas não resolve sozinho o problema. Estudo inédito indica que a política consegue manter parte dos estudantes na escola, embora seus efeitos sejam limitados quando considerada como única estratégia de permanência escolar.

A pesquisa foi elaborada pelo Centro de Evidências da Educação Integral, iniciativa conjunta do Insper, do Instituto Sonho Grande e do Instituto Natura. O trabalho analisa o impacto esperado de programas de incentivo financeiro para estudantes do ensino médio, incluindo o Pé-de-Meia, criado pelo governo federal em 2024. O objetivo foi estimar se esse tipo de política consegue diminuir o abandono escolar entre jovens de famílias em situação de vulnerabilidade.

O programa oferece pagamentos mensais para estudantes matriculados no ensino médio público e bônus acumulados em forma de poupança ao final de cada ano concluído. Também há incentivo adicional para quem participa do Enem. O custo anual da política pública é estimado em R$ 12 bilhões.

Como o programa ainda está em fase inicial, os pesquisadores utilizaram um modelo de avaliação antecipada para projetar os resultados. Esse método considera evidências já conhecidas sobre a reação de estudantes a bolsas educacionais.

No Ceará, a queda estimada na evasão chega a 10 pontos percentuais, enquanto no Paraná a redução projetada é de 4,4 pontos – Foto: Divulgação/MEC.

As estimativas indicam que, sem o programa, a taxa de evasão entre jovens de famílias vulneráveis seria de 26,4%. Com o Pé-de-Meia, o índice cairia para 19,9%, uma redução média de 6,5 pontos percentuais. Na prática, isso significa que um em cada quatro jovens que abandonariam a escola decide permanecer por causa do incentivo financeiro.

O impacto varia entre os estados. No Ceará, a queda estimada na evasão chega a 10 pontos percentuais, enquanto no Paraná a redução projetada é de 4,4 pontos.

O estudo também aponta que aumentar o valor da bolsa não gera ganhos adicionais relevantes na permanência escolar. Uma alternativa sugerida é concentrar uma parcela maior do pagamento no terceiro ano do ensino médio, o que poderia reduzir ainda mais o abandono.

Segundo os pesquisadores, programas desse tipo funcionam, mas seu efeito depende também da qualidade da educação e das condições sociais enfrentadas pelos estudantes.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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