Companheiros e ex respondem por 80,7% dos feminicídios no Brasil, mostra estudo com 5.729 casos

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A maioria dos feminicídios no Brasil é cometida por parceiros ou ex-parceiros das vítimas. É o que mostra o levantamento Retrato dos Feminicídios no Brasil, divulgado na quarta-feira (4) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A pesquisa analisou 5.729 casos registrados pelas polícias entre 2021 e 2024 e aponta que 59,4% dos assassinatos foram cometidos por companheiros atuais, enquanto 21,3% tiveram como autores ex-companheiros.

Os dados indicam que a violência letal contra mulheres no país está fortemente ligada a relações íntimas e familiares. Além dos parceiros, 10,2% dos feminicídios foram praticados por outros familiares, reforçando o caráter doméstico desse tipo de crime. Situações em que o agressor era desconhecido representam apenas 4,9% das ocorrências registradas.

O estudo também mostra padrões no perfil das vítimas e nas circunstâncias das mortes. Metade das mulheres assassinadas tinha entre 30 e 49 anos, fase considerada de plena atividade produtiva e reprodutiva. A faixa de 30 a 39 anos concentra 28,3% dos casos, seguida pelo grupo de 40 a 49 anos, com 21,7%.

Mulheres negras representam 62,6% dos casos de feminicídio no Brasil, enquanto 36,8% são mulheres brancas, indígenas e amarelas são 0,3% – Foto: Marcos Santos/USP.

Entre os meios utilizados, 48,7% dos feminicídios foram cometidos com armas brancas, como facas ou canivetes, enquanto 25,2% ocorreram com armas de fogo.

A análise revela ainda desigualdades raciais no perfil das vítimas. Mulheres negras representam 62,6% dos casos, enquanto 36,8% são mulheres brancas. Indígenas e amarelas aparecem com 0,3% dos registros cada.

Segundo o FBSP, o fenômeno não pode ser compreendido apenas como violência de gênero isolada de outras desigualdades sociais. Mulheres negras, em média, enfrentam maior vulnerabilidade socioeconômica, menor acesso a serviços públicos de proteção e maior exposição a territórios marcados por precariedade institucional.

Os dados mais recentes reforçam a persistência do problema. Em 2025, foram registrados 1.568 feminicídios no país, aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Desde a tipificação do crime na legislação brasileira, em 2015, ao menos 13.703 mulheres foram assassinadas por razões relacionadas ao gênero.

Confira pesquisa na íntegra.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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