Um levantamento divulgado pela Serasa Experian aponta que uma parcela expressiva das mulheres que empreendem no Brasil enfrenta forte pressão financeira. O estudo indica que 47,3% das empreendedoras jovens e emergentes têm entre 81% e 100% da renda comprometida, cenário que revela restrições importantes para a estabilidade financeira desse grupo, composto por mais de 2,6 milhões de brasileiras à frente de negócios.
A pesquisa também mostra que mais da metade dessas empreendedoras possui capacidade financeira mensal de até R$ 1 mil, o que limita a margem para lidar com imprevistos ou oscilações no faturamento. Diferente do que se propagandeou com a reforma trabalhista a pejotização não resultou em prosperidade do livre empreendedor.

Mesmo com alto comprometimento da renda, o levantamento aponta forte presença dessas mulheres em serviços financeiros e no consumo digital. O cartão de crédito aparece como principal meio de pagamento para 45,1%, enquanto 32,6% demonstram afinidade com bancos digitais. O comércio eletrônico também é frequente: 84% realizam compras online. Como o cartão é o principal meio de pagamento a alta taxa de juros que tem sido praticada pelo Banco Central influencia no nível de endividamento.
O estudo ainda indica que 63,9% apresentam perfis associados a atividades de renda flexível, como motoristas de aplicativo, o que sugere a busca por fontes complementares de renda e formas de trabalho adaptáveis às variações de faturamento dos negócios.
A renda mensal dessas empreendedoras se concentra nas faixas mais baixas. 38,4% recebem até R$ 2 mil, enquanto pouco mais de 11% ganham acima de R$ 10 mil. A maior parte das mulheres empreendedoras também está em faixas etárias mais altas. 34,3% têm entre 49 e 65 anos, seguidas por 27,2% entre 39 e 48 anos e 23,5% entre 29 e 38 anos. Apenas 14,8% estão entre 18 e 28 anos.
Segundo levantamento anterior da Serasa Experian, 46% das mulheres apontam a flexibilidade de tempo como principal motivação para empreender, além da busca por autonomia financeira.
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