Mulheres negras são 62,6% das vítimas de feminicídio no Brasil, aponta relatório

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Mulheres negras concentram a maior parte das vítimas de feminicídio no Brasil. Dados do relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quarta-feira (4), mostram que, entre 2021 e 2024, 62,6% das mulheres assassinadas por essa motivação eram negras, enquanto 36,8% eram brancas. Mulheres indígenas e amarelas aparecem com 0,3% dos registros cada.

O levantamento aponta que essa distribuição revela a combinação entre desigualdades raciais e de gênero na violência letal contra mulheres. A maior incidência entre mulheres negras está associada a condições de maior vulnerabilidade social, menor acesso a serviços públicos de proteção e maior presença em territórios com fragilidade institucional.

A análise do perfil das vítimas mostra concentração em faixas etárias adultas. Metade das mulheres assassinadas tinha entre 30 e 49 anos – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O relatório também indica crescimento recente dos casos. Apenas em 2025, o país registrou 1.568 feminicídios, número 4,7% superior ao do ano anterior. Desde que o feminicídio passou a ser tipificado na legislação brasileira, em março de 2015, ao menos 13.703 mulheres foram mortas em razão de sua condição de gênero. Nos últimos cinco anos, os registros aumentaram 14,5%.

A análise do perfil das vítimas mostra concentração em faixas etárias adultas. Metade das mulheres assassinadas tinha entre 30 e 49 anos. O grupo de 30 a 39 anos reúne 28,3% dos casos, seguido pelas vítimas entre 40 e 49 anos, que correspondem a 21,7%. Trata-se, em grande parte, de mulheres em idade economicamente ativa e frequentemente responsáveis pelo sustento familiar e pelo cuidado de dependentes.

Os dados também revelam um padrão recorrente na dinâmica dos crimes. Entre 2021 e 2024, 97,3% dos feminicídios foram cometidos exclusivamente por homens. O estudo aponta que as mortes estão majoritariamente ligadas a relações próximas, afetivas ou familiares.

Essa característica aparece também no local onde os crimes ocorrem. Em 66,3% dos casos, o feminicídio aconteceu dentro da residência da vítima. A via pública representa 19,2% das ocorrências, enquanto outros locais, como estabelecimentos comerciais, áreas rurais, sítios, fazendas e hospitais, aparecem com percentuais menores.

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Thayan Mina

Thayan Mina

Jornalista pela Faculdade de Comunicação (FCS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Atualmente mestrando pelo PPGCOM da Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É músico e sambista.

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