“Brahma e Bruno Reis promovem escravidão aos trabalhadores”, diz Kleber Rosa sobre carnaval de Salvador

IMAGEM_NOTICIA_0.jpg

Foto: Gabriel Rezende/Farol da Bahia

O modelo de patrocínio do Carnaval de Salvador entrou no centro do debate político após declarações do pré-candidato a deputado estadual Kleber Rosa (PSOL), que acusou a prefeitura e a empresa patrocinadora de impor condições desiguais aos trabalhadores ambulantes durante a festa.

Segundo Rosa, o contrato de exclusividade firmado para a comercialização de bebidas nos circuitos oficiais obriga vendedores informais a adquirir previamente os produtos da marca patrocinadora, utilizando recursos próprios, além de arcar com custos de gelo, transporte e demais insumos necessários à atividade. Para ele, a medida configura um modelo de exploração do trabalho informal.

Foto: Gabriel Rezende/Farol da Bahia

O contrato está condicionado à mão de obra dos ambulantes, que são obrigados a vender exclusivamente um produto”, afirmou o psolista durante participação no desfile da Mudança do Garcia. Rosa declarou que pretende denunciar o caso ao longo do ano e durante o período carnavalesco.

A discussão ocorre em meio a um cenário de forte movimentação econômica. Dados divulgados pela prefeitura indicam público estimado superior a um milhão de pessoas por dia nos circuitos oficiais, o que amplia o impacto comercial da exclusividade de marca durante os dias de festa.

Para trabalhadores informais, a lógica da exclusividade altera a dinâmica histórica do Carnaval de rua, tradicionalmente marcada pela autonomia na escolha de fornecedores e produtos comercializados. Ambulantes relatam que, para garantir licença, precisam aderir às regras estabelecidas pelo modelo vigente.

Em resposta às críticas, o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), afirmou que a gestão municipal estruturou políticas públicas voltadas aos trabalhadores informais e que o modelo adotado segue critérios legais. Em coletiva de imprensa, o prefeito declarou que as acusações demonstram desconhecimento sobre a organização do evento.

LEIA TAMBÉM: Camarote de R$ 3.500 na Sapucaí vira alvo de queixas por superlotação: “Insalubre”

A prefeitura também defende que o patrocínio privado contribui para viabilizar financeiramente a festa, reduzindo custos para os cofres públicos e garantindo infraestrutura, segurança e serviços aos foliões.

O embate evidencia um ponto sensível da economia do Carnaval: o papel do trabalho informal na sustentação do evento. Ambulantes representam parte significativa da circulação de renda durante a folia, especialmente para famílias de baixa renda que dependem da festa como fonte principal de sustento no ano.

Especialistas em economia urbana apontam que modelos de exclusividade comercial em grandes eventos tendem a concentrar ganhos nas empresas patrocinadoras, ao mesmo tempo em que transferem riscos operacionais para vendedores autônomos.

O debate deve ganhar novos desdobramentos após o encerramento do Carnaval, quando dados oficiais sobre arrecadação, número de licenças concedidas e volume de vendas forem consolidados.

Deixe uma resposta

scroll to top