Clientes do Will Bank passaram a relatar nas redes sociais o aumento de dívidas mesmo após a liquidação de instituições financeiras envolvidas na origem dos débitos. Em alguns casos, valores continuaram sendo corrigidos com juros mês a mês. Um consumidor registrou que a fatura saltou de R$ 176,60 para R$ 190,27 em apenas 30 dias. Parte desses registros aparece vinculada ao Banco de Brasília (BRB), inclusive para pessoas que afirmam nunca ter tido conta no banco público.
As informações vieram do Registrato, sistema do Banco Central do Brasil, onde usuários identificaram dívidas classificadas como ativas ou em atraso, com aplicação de juros, que foram divulgadas em primeira mão pelo Brasil de Fato. A origem das cobranças, segundo os relatos, estaria ligada a carteiras de crédito que passaram por sucessivas transferências entre instituições financeiras.
O problema ganhou dimensão após a crise do Banco Master, que entrou em liquidação extrajudicial depois que o Banco Central barrou sua venda ao BRB. Paralelamente, a Polícia Federal abriu investigação para apurar suspeitas de fraudes envolvendo a gestão do banco.

Apesar do veto à compra, dados do sistema IF.data mostram que o BRB já havia ampliado fortemente sua exposição ao Master antes da quebra. A carteira de crédito da instituição pública cresceu R$ 20 bilhões em um ano, passando de R$ 37 bilhões para R$ 57 bilhões. Pelo menos R$ 12,2 bilhões desse total estavam ligados a operações com o banco privado, mais de 20% do portfólio.
Especialistas avaliam que essa concentração elevou o risco financeiro do BRB e pode ter provocado efeitos colaterais na migração de contratos e registros de dívidas, atingindo consumidores finais. Enquanto o caso é investigado, clientes seguem tentando esclarecer cobranças que consideram indevidas e cobram explicações das instituições envolvidas.
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