Paraíso do Tuiuti exalta ancestralidade afro-cubana com enredo “Lonã Ifá Lukumí”

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Foto: Denis Raphaël

A Paraíso do Tuiuti entra na Marquês de Sapucaí nesta terça-feira, 17 de fevereiro, abrindo a última noite de desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro. A escola de São Cristóvão apresenta o enredo “Lonã Ifá Lukumí”, que mergulha nas tradições espirituais afro-cubanas e na expansão do culto de Ifá pelas Américas.

Na avenida, a agremiação propõe uma viagem simbólica pela história do orixá Orúmila, divindade ligada ao destino e ao conhecimento, conectando África, Caribe e Brasil em uma narrativa visual repleta de religiosidade, memória e resistência cultural. O carnavalesco Jack Vasconcelos aposta em alegorias monumentais e fantasias ricamente detalhadas para traduzir os rituais, os mitos e a influência da diáspora africana na formação do país.

A escola de São Cristóvão, Paraíso do Tuiuti apresenta o enredo “Lonã Ifá Lukumí” Foto: Denis Raphaël

O intérprete Pixulé conduz o canto da comunidade à frente do carro de som, acompanhado pela bateria Super Som, comandada pelo mestre Marcão. A rainha de bateria Mayara Lima surge como um dos destaques do desfile, com coreografias inspiradas nos toques dos atabaques e nas tradições religiosas que embalam o enredo. O casal de mestre-sala e porta-bandeira Vinícius Antunes e Rebeca Tito apresenta uma performance coreografada que dialoga com os símbolos espirituais apresentados na narrativa.

Com milhares de componentes distribuídos em alas que representam sacerdotes, iniciados, rituais e personagens da história afro-diaspórica, a escola busca emocionar o público ao transformar a avenida em um grande terreiro simbólico. A comissão de frente aposta em encenações teatrais para introduzir a temática espiritualista e convidar o espectador a acompanhar a jornada do destino, conceito central do enredo.

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Primeira escola a desfilar na noite de terça-feira, a Paraíso do Tuiuti aposta em um desfile de forte carga simbólica e estética para buscar posições de destaque na apuração. Fundada em 1952, a agremiação consolidou-se como uma das mais inventivas do carnaval carioca recente, conhecida por enredos provocativos e visualmente impactantes.

Layla Silva

Layla Silva

Layla Silva é jornalista e mineira que vive no Rio de Janeiro. Experiência como podcaster, produtora de conteúdo e redação. Acredita no papel fundamental da mídia na desconstrução de estereótipos estruturais.

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