Levantamento revela que mesmo com a ampliação da escolaridade de jovens negros as desigualdades não são reduzidas no mercado de trabalho brasileiro
Apesar do aumento do acesso à educação, jovens negros continuam enfrentando barreiras para alcançar ocupações de maior remuneração no Brasil. Segundo a pesquisa Juventudes Negras e Empregabilidade, a presença de jovens negros em cargos de alta renda é cerca de 80% menor do que a de jovens brancos, especialmente em áreas como engenharia, direito e tecnologia. A desigualdade persiste mesmo entre aqueles com ensino superior ou pós-graduação, evidenciando segundo o levantamento um “teto racial” que limita a mobilidade social.
O estudo também aponta que a taxa de desemprego entre jovens negros é de 13%, contra 10% entre brancos, enquanto a informalidade atinge 48% dos jovens negros, frente a 37% dos brancos. As mulheres negras formam o grupo mais vulnerável, com menor presença no mercado formal e maior concentração nas faixas salariais mais baixas. O levantamento foi realizado pelo Observatório Fundação Itaú em parceria com o Pacto de Promoção da Equidade Racial, analisou dados da PNAD Contínua, RAIS e censos educacionais.

Outro achado é que a exclusão aumenta conforme cresce o nível de escolaridade. Jovens negros com diploma universitário ou pós-graduação enfrentam maior descompasso entre formação e oportunidades profissionais, o que indica que a desigualdade não está apenas no acesso à educação, mas nas dinâmicas de contratação e progressão de carreira.
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Para os autores do relatório, a sub-representação de jovens negros em ocupações de alta renda representa uma perda social e econômica para o país. O estudo defende políticas de diversidade, ações afirmativas e programas de inclusão produtiva como estratégias para reduzir desigualdades raciais no mercado de trabalho e ampliar o aproveitamento do potencial dessa geração.










