Pesquisa revela que quase 5 milhões de brasileiros vivem no exterior e empreendem em setores como culinária e estética

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Pesquisa revela perfil e desafios de brasileiros empreendedores no exterior - Foto: Pexels

Quase cinco milhões de brasileiros vivem fora do país atualmente, segundo estimativa do Ministério das Relações Exteriores de 2023. Desse total, 45% estão nos Estados Unidos, cerca de 34% na Europa e 13% na América do Sul. É nesse contexto que cresce o número de brasileiros que decidem empreender no exterior, buscando autonomia financeira e melhores condições de vida.

Uma pesquisa conduzida pela Unigranrio em parceria com a Universidade Federal Fluminense, com apoio da FAPERJ, traçou um retrato detalhado desse fenômeno. Ao longo de dez anos, mais de 400 empreendedores brasileiros foram entrevistados em diferentes países. O estudo revela que a maior parte deixou o Brasil motivada por expectativas de segurança, estabilidade econômica e frustração com o cenário político.

Pesquisa revela perfil e desafios de brasileiros empreendedores no exterior – Foto: Pexels

Segundo o pesquisador Roberto Falcão, PhD em estudos da diáspora brasileira, o perfil desses empreendedores combina adaptabilidade, autonomia e disposição para enfrentar desafios. “Normalmente são pessoas com facilidade para aprender idiomas, se adaptar a culturas diferentes e assumir tarefas complexas”, explica.

Os setores mais comuns de atuação são culinária, estética e construção civil. Muitos negócios se consolidam a partir do chamado nicho étnico, atendendo brasileiros saudosos de produtos e serviços típicos, como churrascarias, açaí, pão de queijo, capoeira e serviços estéticos associados à identidade brasileira. Em alguns casos, a clientela se expande para o público local, ampliando o alcance do negócio.

Do ponto de vista financeiro, a pesquisa aponta que a maioria dos empreendimentos de pequeno e médio porte depende de capital próprio ou de crédito local, acessível apenas quando o empreendedor já está regularizado e integrado ao país de destino. Conhecer a legislação aparece como um fator decisivo para evitar o fracasso. “Entender as regras, a regulamentação, o perfil do consumidor e dominar o idioma local é fundamental para quem quer empreender fora”, afirma Falcão.

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A burocracia é um dos principais obstáculos relatados. O mineiro Rodrigo Pinho de Aragão, que vive na França, relata dificuldades para abrir uma empresa devido às exigências migratórias. “Você precisa provar a viabilidade de um negócio que ainda não existe para conseguir o visto, mas sem o visto não consegue abrir a empresa”, explica.

Outro ponto recorrente é a validação de diplomas e experiências profissionais, além do desafio de equilibrar vida familiar e profissional. Na França, a pesquisa destaca um dado específico: 75% dos imigrantes brasileiros são mulheres, em sua maioria na faixa dos 30 anos, com alto nível de escolaridade.

Para Falcão, o sucesso no exterior não se mede apenas pelo lucro. “Produtividade, saúde e felicidade formam o tripé da sustentabilidade da carreira. O dinheiro é importante, mas não pode ser o único indicador”, conclui.

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