Mulheres e povos indígenas estão à frente da produção sustentável de castanha em um município do interior do Amazonas, consolidando um modelo de economia que alia geração de renda, preservação ambiental e valorização dos saberes tradicionais. A atividade, desenvolvida de forma coletiva, tem fortalecido comunidades locais e ampliado o protagonismo feminino e indígena na cadeia produtiva amazônica.
A produção da castanha é realizada a partir de práticas sustentáveis de manejo da floresta, respeitando os ciclos naturais e garantindo a conservação do território. O trabalho começa com a coleta dos ouriços no período adequado, segue com a seleção e beneficiamento do produto e, em muitos casos, avança até a comercialização organizada por associações comunitárias e cooperativas.
As mulheres desempenham papel central em todas as etapas do processo, desde a organização do trabalho até a gestão dos empreendimentos coletivos. Além de contribuir diretamente para a renda das famílias, a atuação feminina tem impulsionado mudanças sociais nas comunidades, ampliando a autonomia econômica e a participação nas decisões locais.
Os povos indígenas, por sua vez, agregam à produção conhecimentos ancestrais sobre o manejo da floresta, garantindo que a extração da castanha ocorra sem desmatamento e sem impactos negativos ao meio ambiente. A atividade é vista como uma alternativa sustentável às práticas predatórias, reforçando a importância da floresta em pé como fonte de subsistência e desenvolvimento.
A produção de castanha também tem se mostrado estratégica para o fortalecimento da economia local, criando oportunidades de trabalho e reduzindo a dependência de atividades que causam degradação ambiental. Além disso, o modelo sustentável adotado pelas comunidades tem despertado o interesse de mercados que valorizam produtos de origem responsável e comércio justo.

Outras ações dos povos indígenas
Além das iniciativas desenvolvidas no interior do estado, o protagonismo de mulheres indígenas também tem ganhado destaque no contexto urbano de Manaus, ampliando o debate sobre sustentabilidade, território e bem viver. Um exemplo é o projeto “Sustentabilidade e Bem Viver”, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas e desenvolvido pela Universidade Federal do Amazonas.
A iniciativa tem como foco compreender e fortalecer as estratégias de sobrevivência, geração de renda e preservação cultural adotadas por mulheres indígenas que vivem na capital amazonense. Muitas delas mantêm vínculos diretos com práticas tradicionais, como o artesanato, a alimentação ancestral e o uso sustentável de recursos da floresta, mesmo em um ambiente urbano marcado por desigualdades sociais.
O projeto parte do conceito de “bem viver”, perspectiva originária dos povos indígenas que propõe uma relação equilibrada entre pessoas, território, natureza e coletividade. Nesse contexto, as mulheres indígenas são reconhecidas como agentes centrais na transmissão de saberes, na organização comunitária e na construção de alternativas econômicas sustentáveis.
Ao dialogar com experiências de produção sustentável, como a cadeia da castanha no interior do Amazonas, a pesquisa reforça que o protagonismo feminino indígena não se restringe ao espaço rural. Ele atravessa cidades como Manaus, conectando floresta, identidade cultural e desenvolvimento sustentável, e evidenciando a importância de políticas públicas e investimentos que valorizem essas lideranças.
Ao unir preservação ambiental, inclusão social e geração de renda, a liderança de mulheres e indígenas na produção sustentável de castanha no Amazonas evidencia como iniciativas comunitárias podem contribuir para o desenvolvimento da região e para a proteção da Amazônia.
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